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"A imprensa foi assassinada", diz o Libération sobre a morte dos jornalistas da RFI

Capa dos jornais franceses desta segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Capa dos jornais franceses desta segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Os assassinatos da repórter Ghislaine Dupont e do técnico Claude Verlon, da RFI, cruelmente executados sábado no norte do Mali, estão nas manchetes de todos os jornais desta segunda-feira, 4 de novembro de 2013.

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O Libération resume bem o sentimento de todos os profissionais que trabalham com a informação: a imprensa foi assassinada no Mali, diz o diário progressista em sua manchete. O assassinato dos dois jornalistas da RFI demonstra, segundo o Libération, como está cada vez mais difícil buscar a informação em zonas de conflito.

Essa análise é compartilhada pelo ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, que afirma que até pouco tempo atrás os jornalistas eram protegidos, mas hoje eles se tornaram um alvo privilegiado de criminosos em zonas de guerra.

O Libération afirma que nenhum grupo havia reivindicado as mortes até o fechamento da edição, e defende esclarecimentos para o duplo homicídio cometido por um "comando" de quatro homens a 12 km da cidade de Kidal. A hipótese de um ato gratuito não está descartada, mas é muito pouco provável, escreve o Libération.

Uma pista considerada "sólida" é de que os dois jornalistas tenham sido assassinados por membros da Al Qaeda do Magreb Islmâmico, grupo conhecido pela sigla Aqmi, que teria se sentido lesado na distribuição dos 20 milhões de euros pagos no resgate de quatro reféns franceses libertados na semana passada na região.

Na opinião de especialistas, o crime contra os franceses representa uma sabotagem dos grupos rebeldes e separatistas que dominam o norte do Mali, a poucos dias das eleições legislativas previstas no final de novembro. Em seu editorial, o Libération diz que a França fez bem em lançar no início do ano uma operação militar antiterrorista naquela região e deve continuar favorecendo a democracia no Mali.

O diário conservador Le Figaro afirma em sua manchete que as tropas francesas se preparam para ficar no Mali por um período prolongado.

O islamismo radical gangrenou o norte do país, escreve o Le Figaro, e precisa ser combatido. Normalmente crítico contra o presidente François Hollande, o Le Figaro afirma em seu editorial que a ação do governo socialista neste caso é impecável. "Ela liberou populações indefesas do jugo do islamismo radical e permitiu a eleição de um presidente em Bamako", lembra o Le Figaro.

O jornal diz esperar que a morte dos dois jornalistas da RFI não esteja relacionada com desavenças no pagamento do resgate dos quatro reféns recém-libertados, senão seria "um escândalo político".

O diário católico La Croix fala em "guerra interminável no Mali". A intervenção francesa lançada no início do ano barrou temporariamente a ação dos grupos extremistas islâmicos, estima o La Croix, sem conseguir no entanto instalar uma paz perene na região.

O La Croix considera que os soldados franceses, malineses e da força de paz da ONU que patrulham atualmente a região não são suficientes.

A prova é que o rapto e o assassinato dos dois jornalistas da RFI aconteceu em uma zona em que o estado de direito não é respeitado.

O La Croix lamenta que de um lado cresce a legenda jihadista, sempre com novos adeptos, e por outro lado trabalhadores humanitários, expatriados, militares e jornalistas se tornam os "culpados", na visão deturpada dos fundamentalistas , de um modo de vida ocidental que eles detestam.

O diário econômico Les Echos, assim como toda a mídia francesa, se solidariza com a RFI pela morte dos colegas, exprimindo sua indignação e horror diante dos assassinatos de Ghislaine Dupont e Claude Verlon.

 

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