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França/Imprensa

Khodorkovski e coração artificial dominam manchetes nesta segunda

Coração 100% artificial é produto 100% francês, frisa Le Figaro
Coração 100% artificial é produto 100% francês, frisa Le Figaro © Carmat/www.carmatsa.com

O primeiro coração 100% artificial, implantado em um francês de 75 anos de idade, e a libertação do bilionário russo Mikhail Khodorkovski por Vladimir Putin na última sexta-feira dividem as manchetes desta segunda-feira. O diário conservador Le Figaro relembra que o coração artificial é uma conquista integralmente francesa, um motivo de orgulho para uma nação abatida pela crise e o desemprego.

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No editorial, o jornal lembra que os franceses estão sempre dispostos a tomar a Avenida Champs Elysées para comemorar as grandes conquistas esportivas do país. E diz que eles "têm muito mais razões para celebrar a proeza do professor Alain Carpentier e de sua equipe".

Le Figaro aproveita para dar mais uma de suas alfinetadas diárias no governo socialista de François Hollande, ao afirmar que a conquista médica nos faz "esquecer a morosidade dominante neste país, que neste período de crise, de desemprego e de concorrência externa, cultiva uma tendência à 'depressão' em comparação aos outros".

O diário faz uma lista de conquistas médicas francesas - como o primeiro transplante cardíaco, em 1968 e a co-descoberta do vírus da AIDS no início dos anos 80 - para dar um alerta: "É preciso saber manter e encorajar estes homens e mulheres excepcionais para que eles não sejam tentados a exercer seu talento em outros lugares".

O vespertino Le Monde e o La Croix também destacam essa conquista médica. O primeiro traz uma entrevista com Phillippe Pouletty, cofundador da Carmat, empresa que financiou a pesquista do professor Carpentier. Ele afirma que o aparelho, que deve custar cerca de 150 mil euros abre um mercado potencial bilionário, além de poder suprir uma demanda que hoje é parcamente atendida: apenas entre 5 e 7% dos necessitados conseguem um transplante de coração. O gargalo é justamente a falta de doadores. Nas próximas semanas, Pouletty garante que três outros pacientes receberão o órgão; em 2014, serão mais 20.

O diário católico La Croix se coloca uma questão ética com relação à implante: "o que acontecerá se o paciente morrer por outra razão e o coração artificial continuar a bater?" Mas o próprio texto pondera que, do ponto de vista psicológico, o implante de um coração artificial deve ser menos traumática do que a do órgão de uma pessoa morta.

O progressista Libération dedica quatro páginas ao que classifica como a segunda manobra de Vladimir Putin a surpreender a comunidade internacional neste ano. A primeira foi a intervenção na crise síria. O jornal analisa a medida sob dois prismas: o Kremlin tenta evitar uma onda de boicote internacional aos Jogos Olímpicos de Sotchi, que começam em dois meses e, acima de tudo procura mostrar-se um território seguro para o investimento externo.

Um cientista político ouvido pelo Le Monde coloca outra carta na mesa: "Putin não teme mais Khodorkovski". Le Figaro destaca o papel da diplomacia alemã na libertação.
 

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