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França/Educação

Discussão sobre gênero nas escolas gera protestos da direita francesa

"Guerra na escola", diz a manchete do jornal progressista Libération sobre o movimento de pais que rejeitam a nova pedagogia do governo para lutar contra a desigualdade entre homens e mulheres.
"Guerra na escola", diz a manchete do jornal progressista Libération sobre o movimento de pais que rejeitam a nova pedagogia do governo para lutar contra a desigualdade entre homens e mulheres. Divulgação

O tema dominante na imprensa francesa desta sexta-feira (31) é a resistência de alguns pais de alunos franceses a um novo programa do governo de François Hollande, que visa combater os estereótipos correntes sobre homens e mulheres desde o início da educação escolar.

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A manchete do jornal progressista Libération é "Guerra na Escola". Alguns pais de alunos se recusaram esta semana a enviar seus filhos a escolas nas quais os professores começam a aplicar o "ABCD da Igualdade". Trata-se de uma pedagogia que combate os estereótipos sobre meninas e meninos.

Libération explica que esse movimento de resistência estava sendo preparado há vários meses via Internet, com a difusão de falsos rumores sobre o programa do governo. Os boatos dizem que as escolas vão ensinar uma suposta "teoria do gênero", confundindo a identidade sexual das crianças e estimulando a homossexualidade.

Para o jornal, essa manifestação de pais de alunos é a "expressão de um conservadorismo exacerbado pela aprovação do casamento gay" no ano passado.

Libération aponta que o principal partido de oposição, a UMP, de direita, aproveitou a brecha para se engajar nesse "combate duvidoso" e pressionar assim o governo socialista de François Hollande.

O diário critica, em seu editorial, a reação do ministro da Educação, Vincent Peillon, que entrou no jogo dos manifestantes ao dizer que rejeita a "teoria do gênero". Uma teoria que, segundo Libération, não existe. A expressão foi lançada pelo Vaticano.

Conservador

Em sua manchete, o jornal conservador Le Figaro afirma que o governo caiu na "armadilha da teoria do gênero". O diário lembra que a questão já provocou várias polêmicas nos últimos anos.

Em seu editorial, Le Figaro diz que em vez de se preocupar com o déficit público, a retomada do crescimento e o restabelecimento da segurança, o governo socialista prefere impor uma nova ideologia às famílias.

O jornal aponta que o movimento contra o ABCD da Igualdade é liderado pelas associações de famílias católicas, mas que a maioria dos pais que boicotaram as aulas esta semana eram muçulmanos.

O diário tamém nota que essa mobilização chegou em boa hora para o movimento conservador "Manif pour tous", criado para combater o casamento entre homossexuais, que organiza neste domingo duas grandes manifestações em Paris e Lyon.

O católico La Croix aponta que as manifestações de domingo vão acontecer em um clima de tensão devido ao debate sobre a teoria do gênero. O diário estima, baseado nos cálculos dos organizadores, que de 100 a 200 mil pessoas sairão às ruas de Paris.

Outros temas que mobilizam os ativistas de direita são a flexibilização da lei do aborto e um novo projeto de lei do governo sobre a família.

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