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Jornais criticam demora da justiça em julgar acusado de genocídio

Capa dos jornais franceses La Croix, Libération, L'Humanité desta terça-feira, 4 de fevereiro de 2014.
Capa dos jornais franceses La Croix, Libération, L'Humanité desta terça-feira, 4 de fevereiro de 2014.

Vinte anos após o genocídio da minoria tutsi em Ruanda, o tribunal do júri de Paris começou a julgar nesta terça-feira (4) o ex-oficial ruandês Pascal Simbikangwa, de 54 anos. Ele é acusado de cumplicidade em genocídio, de crimes contra a humanidade e pode ser condenado à prisão perpétua. O julgamento é manchete nos principais jornais franceses.

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O diário católico La Croix diz que este é um processo tardio, mas sua utilidade será a de abrir caminho para que casos semelhantes sejam julgados. O La Croix conta que o acusado é primo do ex-presidente ruandês Juvénal Habyarinama e contribuiu para a "prática maciça e sistemática de execuções sumárias e outros atos desumanos". Simbikangwa ajudava as milícias do governo hutu a construir barreiras nas estradas para bloquear os tutsis, que tentavam fugir da violência, e também fornecia armas para os massacres. Nessas barreiras, os tutsis eram triados do restante da população e em seguida executados com extrema violência.

O La Croix lembra que dos 800 mil mortos no genocídio, a grande maioria eram tutsis, mas hutus moderados também foram mortos pelo regime do presidente Habyarinama. "O acusado nega os fatos, clamando que entre os mortos havia tutsis e hutus. No fundo, Pascal Simbikangwa se declara vítima das circunstâncias caóticas que reinavam no país naquele período", acrescenta o La Croix.

O Libération coloca em primeira página a imagem de uma vítima do genocídio. De costas e com o dorso nu, um ruandês mostra uma enorme cicatriz em torno da cintura. É um sobrevivente marcado para sempre pela tragédia. A França julgou no passado cúmplices de crimes nazistas como Klaus Barbie, Paul Touvier e Maurice Papon, mas demorou 20 anos para julgar um cúmplice do genocídio ruandês porque manteve uma história ambígua com Ruanda e é suspeita de ter apoiado o regime que cometeu essa barbárie, escreve o Libération.

O jornal progressista afirma que nos últimos anos, as autoridades francesas deram um jeito de impedir que processos semelhantes fossem a julgamento. Segundo juízes ouvidos pelo Libération, Simbikangwa pode ser considerado um dos mentores do genocídio em Ruanda.

A manchete do jornal comunista L'Humanité afirma que esse julgamento é um processo para a história. O diário também denuncia a demora da justiça francesa em levar um acusado desse genocídio aos tribunais, destacando que a primeira queixa na justiça foi prestada em 1995. Para o L'Humanité, a França é o patinho feio da Europa nessa história, já que Bélgica, Noruega, Alemanha e outros vizinhos europeus já julgaram outras pessoas envolvidas nos massacres contra os tutsis em Ruanda.
 

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