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Reino Unido/ Meio Ambiente

Conferência alerta para risco de extinção de animais selvagens

Na semana passada, a Françca destruiu cerca de três toneladas de marfim ilegal.
Na semana passada, a Françca destruiu cerca de três toneladas de marfim ilegal. REUTERS/Charles Platiau

O risco de extinção de uma lista crescente de animais selvagens devido ao comércio ilegal é tema de uma conferência internacional que acontece na capital britânica nestas quarta (12) e quinta-feiras (13), convocada pelo primeiro-ministro David Cameron. Engajados na luta contra a matança de animais, o príncipe Charles e seu filho William gravaram um vídeo para promover o evento e apelar para a proteção de elefantes e outros bichos.

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Na África, a caça de elefantes jamais foi tão grave: em apenas 10 anos, 62% deles foram exterminados, para a recuperação do marfim. O material é bastante valorizado na Ásia, onde se concentra o comércio ilegal, apesar da moratória internacional em vigor desde 1989.

O número de elefantes africanos abatidos por caçadores duplicou em dez anos, e chegou a 22 mil em 2012, segundo a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites). A este ritmo, a sobrevivência do animal não está mais garantida.

Outra situação preocupante é a dos rinocerontes: um animal é sacrificado a cada onze horas. De acordo com a União Europeia, o chifre do rinoceronte é hoje mais precioso que o ouro e é negociado a 40 mil euros o quilo. Já o quilo de ossos de tigre, também utilizados na medicina asiática tradicional, vale 900 euros.
Há 100 anos, 100 mil tigres viviam em estado selvagem na Ásia. O número atual é estimado em menos de 3,2 mil, conforme o príncipe Charles.

O comércio “gerou tal nível de matanças e violência que constitui uma ameaça não apenas para a sobrevivência das espécies mais preciosas do planeta, mas também para a estabilidade econômica e política em muitas regiões do mundo”, afirma o Charles no vídeo, de nove minutos. “O desenvolvimento de uma demanda visivelmente insaciável, sobretudo na Ásia, oferece um incentivo econômico a uma criminalização e a uma profissionalização crescentes do tráfico. Grupos criminosos organizados roubam e massacram elefantes, rinocerontes e tigres, assim como outras espécies em uma escala sem precedentes, levando muitas delas à beira da extinção”, prossegue.

A mensagem termina com a frase “vamos nos unir pela vida selvagem”, falada em árabe, vietnamita, suaíli, espanhol e mandarim, em uma tentativa de se dirigir aos países mais afetados pelo comércio ilegal de animais silvestres.

Mobilização internacional, mas resultados desanimadores

A conferência foi organizada pelo governo britânico e reúne autoridades de alto escalão de cerca de 50 países para tentar encontrar respostas ao problema. Vários, como China, Estados Unidos, Filipinas, Gabão e Quênia, realizaram nos últimos meses destruições parciais de seus estoques de marfim ilegal. “A China enviou uma mensagem muito forte, para os chineses e a comunidade internacional, mostrando que ela não está disposta a tolerar o comércio ilegal de marfim”, declarou o secretário-geral da Cites, John Scanlon.

Os dados, entretanto, não são animadores. O comércio ilegal na China aumentou cerca de 10% por ano na última década. Especialistas ressaltam que a demanda asiática está maior também para a fabricação de joias e objetos decorativos.

 

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