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Atrasos impedem o A380 de pousar em SP durante a Copa, lamenta Les Echos

As obras inacabadas do aeroporto de Guarulhos vão impedir que o avião A 380 da Air France  pouse em São Paulo durante o evento.
As obras inacabadas do aeroporto de Guarulhos vão impedir que o avião A 380 da Air France pouse em São Paulo durante o evento. http://instagram.com

A entrada de capital do Estado francês e da montadora chinesa Dongfeng na francesa PSA Peugeot-Citroën é analisada pela imprensa francesa desta quarta-feira (19). O jornal Les Echos traz um artigo sobre os preparativos da Copa do Mundo no Brasil e está preocupado com os atrasos que vão impedir o mega avião A380 de pousar em São Paulo.

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Com chamada de primeira página, Les Echos informa que as obras inacabadas do aeroporto de Guarulhos vão impedir que o mega avião A380 pouse em São Paulo durante a Copa do Mundo. Poético, o jornal cita um trecho famoso de um poema de Carlos Drummond de Andrade, “tinha uma pedra no meio do caminho”, para explicar a situação. A Air France pretendia começar a usar dois A380 na rota Paris-São Paulo a partir do mês de maio, mas tomou uma ducha de água fria.

A Agência Brasileira de Aviação Civil (ANAC) não autorizou a aterrissagem do mega avião depois de ter constatado a presença de pedregulhos nas pistas de Guarulhos que poderiam ser aspirados pelas turbinas do maior avião comercial do mundo. O A380 é uma das armas da companhia aérea francesa para aumentar sua presença no Brasil.

A Air France espera este ano um aumento de 30% do número de passageiros para o país e de 20% do volume de negócios, e por isso tem pressa em ter a autorização para utilizar o A380 nos aeroportos brasileiros, afirma o jornal econômico.

Recapitalização da PSA Peugeot-Citroën

O diário Le Figaro diz que o acordo, que vai injetar três bilhões de euros no capital da montadora francesa, vira uma página na história de dois séculos da empresa. Desde 1810, a família Peugeot era a principal acionista e decidia o destino do grupo que leva seu nome. Depois que o aumento de capital foi aprovado ontem por unanimidade, a família Peugeot passará a ter 14% das ações, mesma porcentagem que o Estado francês e que a montadora chinesa Dongfeng. Os novos acionistas vão injetar, cada um, 800 milhões de euros na empresa francesa.

Para o Les Echos, o acordo também foi histórico. O jornal econômico francês lembra que desde 1976, quando a Peugeot comprou a Citroën, a relação entre os dirigentes da montadora e a família era complicada e dificultava a administração do grupo. O acordo desta terça-feira (18) vai dar um novo impulso a PSA, em grande dificuldade financeira e com uma divida de 1,5 bilhões de euros. Ele vai permitir principalmente uma maior presença internacional da montadora francesa. O acordo é ótimo para a chinesa Dongfeng, pois é uma etapa importante na estratégia da empresa que sonha em integrar o grupo das 10 maiores montadoras do mundo, escreve Les Echos.

Trabalhadores preocupados

O jornal L'Humanité se pergunta se o estado francês é piloto ou passageiro desse acordo. O jornal comunista lembra que o dinheiro do contribuinte francês é mais uma vez utilizado para salvar a PSA Peugeot-Citroën e esse novo acordo não dissipa as preocupações dos trabalhadores. Segundo os sindicatos, ele não protege as 91 mil pessoas que trabalham para a montadora na França. O L'Humanité teme que a empresa se globalize ainda mais e feche outras fábricas na França. O diário La Croix acha que essa entrada de capital chinês na montadora francesa irá talvez atiçar o medo de que a Europa venha a ser dominada pela Ásia.
 

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