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Ao declarar independência, Crimeia avança rumo à anexação pela Rússia

Milhares de pessoas favoráveis à Rússia manifestaram em Donetsk, 8 de maio de 2014.
Milhares de pessoas favoráveis à Rússia manifestaram em Donetsk, 8 de maio de 2014. REUTERS/Konstantin Chernichkin

A declaração de independência da Crimeia, votada ontem pelo parlamento da região, é analisada pela maioria dos jornais franceses desta quarta-feira (12). A imprensa francesa está preocupada e acha que a península deu mais um passo em direção à Rússia. Libération revela um novo escândalo na França: os abusos sexuais no exército francês contra as soldadas.

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Os jornais são unânimes em afirmar que as autoridades separatistas da Crimeia deram um passo a mais em direção à anexação da península ucraniana pela Rússia. Le Figaro diz que a decisão do parlamento regional aconteceu seis dias antes do referendo que deve aprovar ou não essa integração com a Rússia. O resultado da consulta popular parece não ser um mistério: uma multidão pró-russa ocupa as ruas da capital regional Simferopol pedindo a anexação, informa o jornal conservador. Se isso acontecer, a Rússia será o primeiro país da Europa a anexar à força um território desde o fim da Segunda Guerra Mundial, explica um especialista entrevistado pelo Le Figaro.

La Croix denuncia que o poder pró-russo da Crimeia está reprimindo qualquer contestação contra suas decisões. O jornal católico afirma que a península ucraniana está se tornando uma região sem lei, comandada por grupos armados anônimos que agem impunemente.

Ultimato europeu

A imprensa francesa diz que a Europa tenta dar uma última chance de recuo ao presidente Putin. Russos e americanos discutem uma saída negociada para a crise, mas se o impasse continuar, Paris prevê a adoção, em breve, de novas sanções contra Moscou, escreve Les Echos. Um sinal de que a tensão aumentou nas últimas horas é o envio de aviões pela OTAN para sobrevoar a Polônia e a Romênia, países vizinhos da Ucrânia, avalia L'Humanité.

Les Echos lembra que o primeiro-ministro interino ucraniano, Arseni Yatseniuk, vai hoje a Washington buscar o apoio do presidente Barack Obama. O jornal revela que a opinião publica americana apoia as sanções econômicas contra Moscou, que intervém militarmente na Crimeia e apoia as ambições separatistas da região, mas não quer que os Estados Unidos se envolvam mais do que isso nessa crise.

Escândalo de abusos sexuais no exército francês

Desonra! escreve em sua manchete de primeira página Libération. O jornal revela que a violência e o assédio contra mulheres militares foram silenciados durante muito tempo, mas que o fenômeno vem à tona com a publicação do livro "A guerra invisível". Libération explica que as vítimas eram convencidas por seus superiores homens a não dar queixa e muitas vezes eram transferidas de caserna para evitar o escândalo.

Um inquérito do ministério da Defesa foi aberto para apurar os abusos no final de fevereiro, exatamente no momento da chegada às livrarias do livro. As mulheres representam 15% do efetivo do exército francês e cerca de 10 processos estão atualmente em curso na Justiça por agressões, assédio e até estupro contra soldadas, informa o jornal.

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