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Abstenção, extrema-direita e Sarkozy marcam 1º turno de eleições municipais francesas

Votação para prefeito anima cada vez menos franceses.
Votação para prefeito anima cada vez menos franceses. Wikipedia

O primeiro turno das eleições municipais na França, neste domingo (23), é o principal assunto dos jornais franceses deste sábado (22). Desde os anos 90, a votação local tem mobilizado cada vez menos eleitores e um recorde de abstenção é aguardado para este ano. A imprensa tenta compreender o fenômeno e avalia que, se a aguardada derrota da esquerda nas prefeituras se confirmar, a pressão por mudanças no governo do presidente François Hollande vai se acentuar.

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O jornal Le Monde sentencia logo na manchete: diante da alta impopularidade do governo socialista e do risco de forte abstenção neste domingo, Hollande está “face ao risco de voto-sanção”. O diário lembra que, no passado, este cenário já ocorreu para a esquerda: durante o governo do ex-presidente François Mitterrand (PS), a oposição saiu vencedora de duas eleições municipais.

Neste ano, quase 10 milhões de candidatos disputam mais de 36,6 mil prefeituras em todo o país. Porém, observa o Le Monde, os franceses só permanecem realmente mobilizados para as eleições presidenciais. “É verdade que tudo contribui para a rejeição da política e de seus líderes. Eles aparecem incapazes face à crise econômica e social que mina o moral nacional”, avalia.

Efeito Sarkozy

Diante deste contexto de fraca participação, o Libération considera que é “difícil tirar um aprendizado nacional sobre essa votação, antes de mais nada local”. O jornal questiona qual deve ser a influência das diversas denúncias contra o ex-presidente Nicolas Sarkozy, nas últimas semanas, que colocaram o conservador no centro das atenções. Com a direita tradicional atrapalhada, a expectativa é de que a extrema-direita conquiste um número surpreendente de prefeituras nestas eleições.

“As pesquisas garantem: em todo o país, a maioria dos eleitores diz querer se concentrar nas questões locais relegando a segundo plano o esfacelamento da política nacional”, afirma o editorial do Libération. “Uma política de proximidade, que resulta em ações concretas, abre perspectivas e cria potencialmente empregos e crescimento – bem distante do espetáculo angustiante e indigno da cena nacional e dos excessos de um ex-presidente, que dão náuseas.”

Já para o Le Figaro, Sarkozy conseguiu “eletrizar o primeiro turno”. Segundo o jornal, “ao final de uma campanha sem paixão, o debate eleitoral ganhou uma dimensão nacional” depois que o ex-presidente se exprimiu para se defender das acusações das quais era alvo. Ele assinou uma coluna nas páginas do próprio Figaro, na quinta-feira, na qual comparou as escutas telefônicas que captaram suas conversas “aos métodos da Stasi”, a polícia da época da Alemanha oriental.

O jornal considera que a repercussão negativa das palavras de Sarkozy entre as lideranças da esquerda provam que ele “é o pesadelo de Hollande”. Para o Figaro, “a indignação da esquerda é igual ao seu medo de ver Sarkozy voltar a mobilizar um eleitorado que ela acreditava desmotivado pelas guerras internas na UMP”, o principal partido de direita na França.
 

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