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Imprensa

Resultado do 1° turno das eleições municipais é sanção ao governo de Hollande

Capa dos jornais franceses Le Figaro, Libération e La Croix desta segunda-feira, 24 de março de 2014.
Capa dos jornais franceses Le Figaro, Libération e La Croix desta segunda-feira, 24 de março de 2014.

O crescimento do partido de extrema-direita Frente Nacional e o revés do partido socialista do presidente François Hollande no 1° turno das eleições municipais francesas dominam as manchetes da imprensa francesa desta segunda-feira (24). As urnas confirmaram o que as pesquisas de opinião já haviam detectado, mas, na análise dos jornais, os resultados da extrema-direita foram surpreendentes.

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O jornal Libération destaca que os resultados da Frente Nacional foram tão expressivos que o partido de extrema direita estará presente na disputa pela prefeitura de quase 200 cidades francesas. Para facilitar a compreensão dos eleitores, o jornal fez um mapa onde se vê claramente a implantação do partido em todas as regiões do país.

Por isso, o Libération não hesita em afirmar que a Frente Nacional se impôs no centro desta batalha pelas prefeituras. Em sua manchete, ilustrada com uma foto da líder do partido, Marine Le Pen, Libération alerta que o "medo paira sobre as cidades francesas". Em editorial, o jornal comenta que a punição ao partido socialista era previsível, mas acabou sendo severa demais.

 La Croix lembra em sua manchete que esse primeiro turno foi marcado pela abstenção recorde entre 35% e 38%, o que também justifica o avanço da Frente Nacional e o recuo bem significativo da esquerda. Em editorial, o jornal católico considera que, além de escolher seus prefeitos e representantes municipais, os eleitores usaram as urnas para enviar uma mensagem claríssima de descontentamento com o governo socialista de François Hollande.

A abstenção forte neste primeiro turno demonstra ainda que os franceses estão se distanciando da vida política “decepcionante”, escreve o La Croix.

Alvo: presidente Hollande

Dois jornais, Le Figaro e Aujourd'hui en France, usam a mesma foto - o presidente saindo do local de votação- para dizer que François Hollande foi punido pelos eleitores. Dois anos após assumir o governo francês, Hollande sofre seu primeiro revés eleitoral, destaca o Le Figaro.

O crescimento da extrema-direita e a vitória da UMP representam um fracasso estrondoso para a esquerda, afirma o jornal conservador. Eleições locais costumam ser uma ocasião para o eleitor expressar seu descontentamento com os políticos, lembra o jornal em seu editorial.

Le Figaro insiste que os resultados são uma derrota pessoal e política para François Hollande, mas não deixa de alertar que o voto de protesto na extrema-direita é um recado duro para os tradicionais partidos políticos do país.

Para o Aujourd'hui en France, os eleitores expressaram sua raiva nas urnas contra os políticos. O jornal resumiu em uma frase os resultados deste primeiro turno: uma humilhação para Hollande, um sucesso para a Frente Nacional, uma revanche para a direita e um abstenção preocupante dos eleitores. Ou seja, uma reviravolta no jogo político do país.

Fim do bipartidarismo

Para o jornal econômico Les Echos, o partido liderado por Marine Le Pen criou uma verdadeira surpresa neste primeiro-turno. O exemplo é a vitória já confirmada do candidato da Frente Nacional na cidade de Hénin-Beaumont, norte do país, com mais de 50% os votos.

Uma analista política do Les Echos afirma que o Partido Socialista e a UMP, a direita tradicional, continuam a se responsabilizarem mutuamente pelo crescimento da extrema-direita. O fato é que a cada eleição, a divisão bipartidária entre direita e esquerda, que vigorou na França por décadas, está indo para o espaço, avalia o jornal.

 

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