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Imprensa

Campanha contra o machismo em que estudantes usam saia gera polêmica na França

Campanha contra o machismo em Nantes, oeste da França, pedindo para que os meninos usem, nesta sexta-feira, 16, uma saia.
Campanha contra o machismo em Nantes, oeste da França, pedindo para que os meninos usem, nesta sexta-feira, 16, uma saia. Académie de Nantes

Em Nantes, no oeste da França, as escolas públicas secundárias da região decidiram promover amanhã (16) uma campanha contra o machismo. A iniciativa, porém, virou alvo de polêmica na França.A iniciativa consiste em pedir que os meninos usem, por um dia, uma saia ou um adesivo com os dizeres: "Eu luto contra o machismo. E você?".

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O objetivo, dizem os criadores da campanha, é chamar a atenção para os preconceitos contra as mulheres. A ideia já existe desde 2006 e, no ano passado, a campanha foi feita com sucesso em 20 escolas.

Mas, neste ano, a iniciativa foi alvo de uma grande polêmica que envolveu os opositores do casamento homossexual, explica o jornal Aujourd'hui en France. Segundo o diário, os líderes da Manif pour Tous (Manifestação para todos) pediram a suspensão da campanha. Nas redes sociais, começaram a circular boatos que os diretores das escolas obrigaram os alunos a usarem saias e a se maquiar, o que gerou grande protesto por parte da bancada do UMP, partido conservador do ex-presidente Nicolas Sarkozy.

Origem dos boatos

Para o jornal Libération, esses boatos são "surreais" e fazem parte da estratégia de manipulação dos setores reacionários da sociedade. Para eles, a família é uma "entidade sagrada" e qualquer discussão sobre a sexualidade vira, imediatamente, um "tabu".

Esses grupos ultraconservadores usam o ambiente escolar como campo de batalha, avalia o diário de esquerda. Ainda segundo o Libération, a polêmica foi alimentada por uma informação "distorcida" publicada ontem no site do jornal Le Figaro. A reportagem do jornal, diz o Libération, dava entender que o uso da saia era obrigatório.

Campanha gera mal-estar

"O dia da saia gera mal-estar". Esse é o título da reportagem do jornal Le Figaro. O assunto ganha até um editorial na primeira página. "Aqueles que se deixaram seduzir pela mulher barbada no Eurovisão vão adorar essa experiência do Ministério da Educação", diz, em tom de provocação, o editorial do jornal. Para Le Figaro, essa campanha é uma "manipulação mental".

Entrevistado pelo jornal, François-Xavier Bellamy, prefeito adjunto de Versalhes, argumenta que esse tipo de iniciativa serve apenas para alimentar "a confusão sobre os gêneros" e não contribui para valorizar as mulheres.

 

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