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Imprensa francesa lamenta o enterro do "joga bonito" no futebol brasileiro

Capa dos jornais franceses Le Figaro, Libération e Aujourd'hui en France desta quinta-feira, 10 de julho de 2014.
Capa dos jornais franceses Le Figaro, Libération e Aujourd'hui en France desta quinta-feira, 10 de julho de 2014.

A derrota histórica do Brasil por 7 a 1 na semifinal contra a Alemanha, na Copa do Mundo, ainda está nas manchetes da imprensa francesa nesta quinta-feira (10). Os jornais Aujourd'hui en France, Libération e Le Figaro analisam as razões do fiasco.

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Aujourd'hui en France destaca as críticas feitas pela imprensa brasileira. "Jogadores e técnico sem talento, à exceção de Neymar; dependência excessiva do atacante do Barcelona; ausência de esquema tático compreensível; e a pressão da torcida", que teria sido fatal para uma seleção de jogadores jovens e inexperientes em Mundiais.

O símbolo da deriva emocional da seleção brasileira, segundo Aujourd'hui en France, foi o choro do capitão Thiago Silva durante a disputa de pênaltis contra o Chile. O diário popular nota que "ao invés de se servir da torcida como um catalisador de forças - como fizeram os franceses em 98 e os alemães em 90 -, a Seleção brasileira encarou a torcida como um fardo, um peso, ao longo de todos os jogos.

Aujourd'hui en France traz entrevista com o ex-técnico francês Guy Roux. Ele assistiu a mais de dez Copas do Mundo em sua carreira e afirma não ter se surpreendido com a goleada na semifinal. O francês, que estava no Mineirão como comentarista da rádio Europe 1, diz que nunca viu uma Seleção brasileira "com jogadores tão desamparados, fracos e sem magia". "Os brasileiros estavam petrificados nessa Copa, eles cometeram falhas táticas inacreditáveis, eu sou incapaz de definir o jogo da seleção de Scolari", diz Guy Roux.

Impacto político da derrota

Libération faz uma análise política sobre eventuais consequências da derrota na campanha presidencial. Em sua capa, sempre com imagens impactantes, o jornal de esquerda afirma que os brasileiros estão inconsoláveis. "Depois da surra, chegou a hora do duro enfrentamento da realidade."

A presidente Dilma Rousseff espera que o fiasco histórico da Seleção brasileira não tenha impacto político na campanha. Mas Libération estima que ainda é muito cedo para ter certeza disso.

Os protestos anti-Copa, esvaziados desde a primeira fase do Mundial, estão sendo reprogramados com o final do torneio, informa a correspondente em São Paulo. Um ativista entrevistado por ela afirma que encerrada a festa, "os brasileiros voltarão a ter senso crítico".

Por enquanto, os dois principais adversários da presidente Dilma Rousseff na campanha presidencial, Aécio Neves e Eduardo Campos, não usaram politicamente a derrota do Brasil em suas declarações de campanha, assinala Libération.

"Joga bonito" acabou

No plano esportivo, o jornal diz que o fiasco era previsível. A seleção mostrou falhas desde o início da competição. O futebol "joga bonito" brasileiro não existe mais, lamenta Libération. "Ele foi substituído por uma imitação malfeita do padrão europeu", diz o texto.

O diário conservador Le Figaro estima que o futebol brasileiro foi afetado, em sua criatividade, pela mercantilização dos jogadores. "O Brasil não é mais uma escola de futebol, como sempre foi para o resto do mundo. Tornou-se um império de transações financeiras em que o 'joga bonito' é o fator menos relevante", escreve Le Figaro.
 

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