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Igreja quebra tabu em relatório favorável à inclusão de gays e divorciados

O Papa Francisco na praça São Pedro, no Vaticano, 8 de outubro de 2014.
O Papa Francisco na praça São Pedro, no Vaticano, 8 de outubro de 2014. REUTERS/Max Rossi

Os jornais franceses analisam nesta quarta-feira (15) o relatório preliminar do Sínodo sobre a Família, que acontece atualmente no Vaticano. A Igreja Católica quebrou um tabu ao enviar, pela primeira vez, uma mensagem positiva de tolerância e inclusão para casais homossexuais e divorciados. Ao dizer que os gays têm dons e atributos para oferecer à Igreja, o documento causou surpresa.

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O papa Francisco liberou a fala e promove o debate, na opinião do diário católico La Croix. Este será provavelmente o maior mérito do Sínodo, uma vez que o documento ainda pode sofrer emendas e será discutido novamente, em um encontro já marcado para o ano que vem. "Convidar cada um a compreender melhor o mundo, enfrentar as dificuldades contemporâneas, questionar e testemunhar suas experiências não faz mal à Igreja." Ao contrário, torna o debate dinâmico, aprova La Croix.

Chuva de críticas

"Reina a confusão total entre os padres que participam do encontro", segundo Le Figaro. O papa Francisco enfrenta uma tempestade de críticas, diz o jornal conservador, vindas dos Estados Unidos, da Polônia e África do Sul. Bispos desses países manifestaram seu descontentamento com o texto, fazendo o papa reagir na segunda-feira (13): "Sou apegado às minhas ideias ou aberto a Deus e às surpresas", questionou Francisco.

Le Figaro relata que o documento dá a impressão que a Igreja mudou subitamente de posição em relação a certas regras morais fundamentais do catolicismo. O jornal evoca que, além do trecho que fala dos homossexuais, a Igreja também admite que seria melhor deixar casais divorciados comungar. Atualmente, esses fiéis são excluídos da comunhão.

As novidades agradam milhares de católicos progressistas e não praticantes, mas causam surpresa entre os católicos conservadores. Le Figaro mostra que o papa Francisco rompe com velhos hábitos deixando parte do clero perplexo. Um exemplo é a comissão nomeada para redigir o texto final do Sínodo, com apenas seis padres muito próximos do papa argentino.

Fiéis participam do Sínodo

Dos 253 participantes do Sínodo, 191 são bispos. O diário Le Parisien conta que os debates contam com fiéis convidados para dar sua visão sobre a família. Na semana passada, em uma das sessões, um casal australiano disse que a Igreja deveria acolher os homossexuais. No dia seguinte, um casal de congoleses defendeu exatamente o contrário, sugerindo que as Igrejas africanas adotem uma contra-ofensiva ao casamento gay. Le Parisien lembra que em muitos países da África a homossexualidade é passível de pena de prisão e até pena de morte.

No Sínodo sobre a Família, a maior parte dos participantes vem da África e da Ásia, então qualquer orientação que o papa dê, ao final do encontro, terá repercussão diferente de acordo com a região do mundo, destaca Le Figaro.

Le Parisien conclui a matéria com uma frase do papa argentino: "quem sou eu para julgar os homossexuais".

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