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Les Echos analisa influência de Lula na batalha eleitoral

O ex-presidente Lula, durante visita no dia 21 de outubro à fábrica da Fiat em Recife.
O ex-presidente Lula, durante visita no dia 21 de outubro à fábrica da Fiat em Recife. ftospublicas.com

A dois dias do segundo turno da eleição presidencial no Brasil, a imprensa francesa observa que o resultado segue indefinido. O jornal econômico Les Echos destaca o peso do ex-presidente Lula na batalha eleitoral para a reeleição de Dilma Rousseff, enquanto o diário conservador Le Figaro assinala que Aécio Neves vive uma verdadeira "ressurreição" em relação ao início da campanha, atraindo votos de eleitores decepcionados com a presidente.

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As últimas horas da campanha são marcadas pela presença do ex-presidente Lula nos palanques, destaca o Les Echos. "Discreto no início da campanha, Lula é a figura onipresente do segundo turno", de acordo com o diário. "Todos acreditavam que, com sua aura, Lula poderia eleger qualquer candidato, mas o tucano Aécio Neves cresceu e é a sensação na reta final da campanha", conta o correspondente do Les Echos em São Paulo.

O jornal ouviu vários analistas e apresenta opiniões divergentes sobre a capacidade de Lula influenciar o voto dos brasileiros. Les Echos ressalta que Dilma não é uma marionete nas mãos do ex-presidente. "Ela impôs gradualmente seu estilo e não segue todos os conselhos dados pelo padrinho político", diz o texto. O jornal cita o apoio de Chico Buarque, que disse que votará em Dilma por causa dela e não pela indicação de Lula, como fez na eleição anterior.

Aécio é a sensação do segundo turno, para Le Figaro

Le Figaro analisa a ascensão do tucano Aécio Neves. Segundo o diário conservador, o candidato da oposição cristaliza a decepção com o governo Dilma. "Há cinco semanas, Aécio tinha menos de 20% das intenções de voto e hoje oferece perigo à reeleição da presidente", lembra. Para o Le Figaro, Aécio encarna a renovação da direita, mesmo se ele tem uma "carreira política de herdeiro". De acordo com o jornal, não é só a elite que vota no tucano. "Parte da classe média é sensível aos escândalos de corrupção e não quer um novo governo do PT", explica a matéria.

Le Figaro avalia que o antipetismo é resultado de 12 anos de redistribuição de renda no Brasil. "Enquanto as empregadas domésticas comemoram que a presidente Dilma Rousseff limitou suas horas de trabalho, a classe média fica irritada de ter de lavar a louça", afirma o Le Figaro. O jornal conclui o texto dizendo que os dois candidatos travam uma disputa acirrada, com ligeira vantagem para Dilma.

Cobrança do eleitorado

O jornal gratuito Metronews evoca uma eleição indefinida, com inversão de tendências até a reta final. Ouvido pelo jornal, o cientista político francês Jean-Jacques Kourliandsky, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IRIS), em Paris, diz que essa campanha é uma das mais difíceis que o Brasil já teve desde o retorno da democracia.

Kourliandsky considera que quem quer que seja o vencedor, o novo presidente terá que mostrar resultados "porque seus eleitores não perdoarão erros". Os brasileiros estão amargurados com a situação econômica, diz o especialista, e o principal desafio dessa campanha é saber que modelo de crescimento o Brasil vai adotar: intervencionista, como propõem Lula e Dilma, ou mais liberal, com Aécio.

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