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Brasil/eleições 2014

Imprensa internacional segue de perto reta final das eleições presidenciais brasileiras

RFI / REUTERS/Ricardo Moraes

A imprensa internacional está seguindo com muito interesse a reta final das eleições presidenciais no Brasil. Jornais e revistas de vários países trouxeram reportagens e análises neste sábado (25), véspera do pleito. A questão da corrupção, levantada durante o último debate, foi o tema escolhido por diversos veículos.

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Os principais jornais franceses, que fecharam suas edições antes do debate de sexta-feira, trouxeram em suas versões impressas os perfis e propostas do candidato Aécio Neves (PSDB) e da atual presidente Dilma Rousseff (PT). O diário Le Figaro explica que os eleitores vão ter que decidir entre dois projetos divergentes, principalmente no que diz respeito ao papel do Estado. “Os dois candidatos prometem uma reforma política, mas para Aécio ela deve ser discutida no Congresso, enquanto Dilma conta com a intervenção da sociedade civil, por meio de referendo”, ressalta Le Figaro. O jornal também chama a atenção para as posições diferentes dos candidatos sobre a política externa, “algo menos visível para a maioria dos brasileiros”: a petista quer continuar reforçando os elos com os países latino-americanos, numa cooperação “sul-sul”, enquanto o tucano pretende selar um acordo com a União Europeia e se aproximar dos Estados Unidos, país com o qual o Brasil tem relações estremecidas desde as denúncias de espionagem visando a presidente Dilma.

Apesar de sua posição política oposta, o jornal de esquerda Libération adota o mesmo tom de comparação que Le Figaro. Em reportagem de duas páginas, o diário traça a trajetória dos dois candidatos, além de retomar os principais temas desta campanha eleitoral. “Ele é pragmático e ela é doutrinária. Ele é um herdeiro político e ela uma ex-militante da guerrilha, engajada contra a ditadura militar”, compara Libé. “Se Aécio promete que não vai mudar os programas sociais existentes – principalmente os populares “Bolsa Família” e “Minha Casa Minha Vida” – seus conselheiros são adeptos do liberalismo”, alfineta o jornal.

Sobre esse tema, o New York Times, ressalta que raramente um candidato próximo dos mercados chegou tão perto da presidência em um país em desenvolvimento, "muito menos em uma nação tão grande e influente como o Brasil". Em análise publicada em sei site na sexta-feira, o jornal norte-americano afirma que mesmo se os eleitores só votam no domingo, o mundo das finanças já decidiu em quem vai investir seus dólares e seus reais : Aécio Neves. 

Política externa

A visão internacional dos candidatos também é levantada pelo The EconomistEm seu site, a revista britânica lembra que enquanto Dilma tem "geralmente pouco interesse pela política externa", Aécio "quer mudanças maiores", principalmente no que diz respeito ao Mercosul. Segundo a revista, que relembra declarações Rubens Barbosa, coordenador do programa de governo para a política externa do tucano, o candidato estaria disposto a flexibilizar as regras do bloco que impedem seus membros de negociarem acordos comerciais com países terceiros de forma individual. 

Duas visões do mundo bem diferentes, para dois candidatos que, como lembra o vespertino Le Monde, que chegou às bancas na tarde deste sábado, cresceram na mesma cidade, a poucas ruas de distância. O correspondente do jornal foi até Belo Horizonte e conversou com moradores e comerciantes dos bairros de São Pedro, onde Dilma viveu sua infância, e Savassi, onde Aécio morou. “Eles devem ter se cruzado várias vezes” durante a juventude, aposta um vendedor ambulante ouvido pelo jornalista.

Escândalos de corrupção voltam à tona

Le Monde também se interessou, em sua versão online, pelo escândalo da Petrobras, lembrado logo no início do debate de sexta-feira. “Dilma Rousseff se defende dos escândalos de corrupção”, publica em título o vespertino, que conta como a presidente refutou as acusações de Aécio Neves.

Para o diário português Público, que também relatou a troca de farpas entre Dilma e Aécio, a primeira questão do debate deu o tom – agressivo – do confronto. “Nas respostas, a presidente nunca se mostrou defensiva, mas disposta ao contra-ataque”, ressaltou o diário português. Mas para o Público, no final do encontro, permanecia a “incerteza e imprevisibilidade quanto ao desfecho da votação de domingo”.

Com o título “Petrobras, o melhor e o pior do Brasil”, o jornal espanhol El País também se interessou pelo escândalo envolvendo a estatal, que “inflamou o fim da campanha”. A correspondente do diário no Brasil explica o caso em detalhes e analisa : “A presidente nega tudo e garante que trata-se de calúnias eleitorais. Mas para os especialistas, mesmo se for reeleita, Dilma vai ser perseguida por esta sombra durante todo o mandato”. O jornal espanhol também chama a atenção para o impacto negativo dessas denúncias na estatal, já que a Petrobras, “jóia empresarial brasileira, vale hoje aproximadamente a metade do que valia quando a presidente chegou ao poder, em 2010”. 

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