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França/Resenha da imprensa

Halloween faz polícia francesa redobrar cuidados com "palhaços malignos"

Palhaços sinistros assustam não só a população, mas as autoridades também
Palhaços sinistros assustam não só a população, mas as autoridades também Scott Simmons

Dia de Halloween e palhaços nada divertidos estampam as capas de dois jornais franceses nesta sexta-feira (31). Desde o dia 10 de outubro, um estranho fenômeno tem tomado o país: adolescentes e jovens vestidos de palhaços atacam pessoas nas ruas e os comentários sobre os ataques inflamam as redes sociais.

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Tudo começou com uma pegadinha italiana, inspirada, por sua vez em figuras como o protagonista de "A Coisa", do escritor Stephen King. No vídeo, um homem, mascarado em um sorriso vitrificado, explode a cabeça de um boneco com uma marreta, para o pânico dos transeuntes. Até que alguém levou a brincadeira a sério: um jovem de Montpellier deu trinta golpes com uma barra de ferro em um agente artístico. O rapaz, que tem 18 anos, foi condenado a um ano de prisão em regime fechado.

Na última segunda-feira, dois palhaços tentaram atacar uma mulher com uma machadinha de mentira... No norte da França, dois garotos de 14 anos foram presos usando roupas de palhaço. Em Vendargues, cidade de 6000 habitantes, no sul, o prefeito proibiu todos os indivíduos ou grupos de pessoas com mais de 13 anos de circular "disfarçados ou mascarados" de palhaço nas ruas e espaços públicos.

Caso de polícia

O Libération escreve que "o caso foi levado a sério pela polícia, que emite comunicados que seriam até engraçados, se não traduzissem uma realidade sórdida". Um destes comunicados diz que "palhaços inspirados no filme "Massacre da Serra Elétrica" não são bem-vindos na frente das escolas".

Em Vendargues, cidade de 6 mil habitantes, no sul da França, o prefeito proibiu todos os indivíduos ou grupos de pessoas com mais de 13 anos de circular "disfarçados ou mascarados" de palhaço nas ruas e espaços públicos. Mesmo assim, um porta voz da polícia diz que o fenômeno é pontual e já está diminuindo.

No editorial intitulado "mal estar", o Libération descreve como a figura do palhaço encarna o bufão, que brinca com o humor e a pegadinha, mas também uma outra característica, mais sinistra, de um personagem solitário, que esconde suas frustrações atrás de um rosto estático, que não transparece nenhuma expressão, nenhuma emoção.

Para o sociólogo Thierry Breton, ouvido pelo jornal, "a máscara não somente garante o anonimato, mas favorece a suspensão de tudo o que é proibido, suspende as exigências morais, acaba com o senso do 'eu' e abre o caminho para que brote o comportamento impulsivo".

Pobres palhaços

Uma charge no Aujourd'hui en France ilustra como os palhaços andam com o moral em baixa aqui na França. Duas crianças, vestidas normalmente, seguram saquinhos de doces típicos de Halloween e ameaçam um palhaço: "Agora, passa os bombons pra cá ou a gente chama a polícia!". O jornal traça um histórico da figura do palhaço, desde os animadores de teatros burlescos até o Coringa do Batman.

Mas o jornal mostra também "o outro lado da máscara", com uma entrevista com um palhaço de verdade, que se diz "escandalizado": "Um palhaço é sagrado, ele é feito para trazer de volta o prazer e a alegria de viver, para trazer um pouco de alegria a quem precisa", afirma Michel Lebeau. Ele conta que, quando veste seu terno colorido e entra em um hospital, seu único objetivo é ver um sorriso. "Eu só ajo com o coração", diz.

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