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Crise/Burkina Fasso

Presidente de Burkina Fasso promete transição, mas não renuncia

Manifestantes tomaram as ruas da capital Uagadugu nesta quinta-feira (30) contra o presidente burkinabê, Blaise Compaoré, no poder há 27 anos.
Manifestantes tomaram as ruas da capital Uagadugu nesta quinta-feira (30) contra o presidente burkinabê, Blaise Compaoré, no poder há 27 anos. REUTERS/Joe Penney

A situação continua tensa nesta sexta-feira (31) em Burkina Fasso, na África Ocidental. O exército anunciou que tomou o poder no país e instaurou um órgão de transição, impulsionado pela revolta popular contra o presidente Blaise Compaoré, no poder há 27 anos. Apesar da pressão da oposição, o chefe de Estado se recusa a deixar o poder.

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Em um pronunciamento na televisão ontem à noite, Campaoré disse que entendeu o recado das ruas e prometeu diálogo para uma transição democrática. No entanto, o presidente ressaltou que não vai se demitir do cargo, mas está disposto a empreender “um governo de união nacional”. O objetivo, segundo ele, “é preparar as eleições nacionais e transferir o poder a um sucessor democraticamente eleito”.

A população foi às ruas ontem para protestar contra o projeto de Campaoré de mudar a Constituição e ficar mais 15 anos no poder. A Assembleia Nacional foi invadida e incendiada, a Televisão Pública foi tomada por manifestantes e houve troca de tiros ao redor da sede da presidência. Pelo menos 30 pessoas morreram e cerca de 100 ficaram feridas.

Demissão imediata

A oposição, encabeçada por Béné Wendé Sankara, impõe a demissão imediata do chefe de Estado como condição para o início das negociações. Sankara também não está do lado do exército e foi o primeiro a classificar a tomada do poder pelos militares de "golpe de Estado".

Os manifestantes também não viram com bons olhos a ação do Exército. Eles pedem que o governo de transição seja encabeçado pelo general da reserva e ex-ministro da Defesa Kuamé Lugué, e não pelo chefe do Estado Maior, Nabéré Honoré Traoré, que liderou o movimento de ontem.

Reações

Os Estados Unidos parabenizaram ontem à noite a decisão de Compaoré de formar um governo de unidade nacional, sob a promessa de realizar eleições futuramente. Em comunicado, Washington lamentou as mortes durante a revolta e pede ao governo burquinense e à oposição para evitar mais violências.

O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, disse hoje que espera que Burkina Faso caminhe em direção da paz. “Pedimos ao nosso embaixador no país que interceda para ajudar o governo a encontrar uma solução”, declarou.

A União Africana fez um apelo para que o governo e os manifestantes se contenham e dialoguem. Já a União Europeia pediu que as negociações entre as duas partes envolvidas no conflito negociem e coloquem rapidamente um fim às violências.

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