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Imprensa

Escândalo político envolvendo partido de Sarkozy e socialistas favorece Marine Le Pen

Capa dos jornais franceses desta segunda-feira.
Capa dos jornais franceses desta segunda-feira.

A imprensa francesa destaca na manhã desta segunda-feira (10) mais um escândalo político na França. Desta vez, os envolvidos são o ex-primeiro-ministro François Fillon, que ocupou o cargo durante a presidência de Nicolas Sarkozy, e o atual secretário do Eliseu, Jean-Pierre Jouyet. Fillon e Sarkozy pertencem ao mesmo partido, mas são concorrentes. Essa disputa pelo poder tem golpes baixos que podem beneficiar a líder da extrema-direita, Marine Le Pen.

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Sarkozy e Fillon são as figuras mais cotadas do partido UMP para concorrer à sucessão de François Hollande (PS), nas eleições presidenciais de 2017. Em entrevista aos jornalistas do Le Monde Gérard Davet e Fabrice Lhomme, o secretário geral do Palácio do Eliseu, Jean-Pierre Jouyet, afirmou que, no dia 24 de junho, Fillon lhe pediu que acelerasse processos judiciários contra Nicolas Sarkozy.

"Marine Le Pen agradece". Esse é o título do editorial publicado na capa da edição desta manhã do jornal Le Figaro. "Fillon pediu a cabeça de Sarkozy ao Eliseu ou é a Presidência da República que quer semear a discórdia na direita?". Essa é a pergunta que o jornal se faz, mas, qualquer que seja a resposta, quem sai ganhando é Marine Le Pen.

A candidata da extrema-direita insiste que a bipolarização entre o PS e o UMP é nociva para a França e que os dois partidos estão igualmente envolvidos em escândalos. Com isso, ela consegue mais votos para a Frente Nacional. “Está na hora de o UMP e o Partido Socialista abrirem o olho”, conclui o Figaro.

Sarkozy também pode sair ganhando com a nova polêmica

Para o jornal Libération, o ex-presidente Nicolas Sarkozy pode sair fortalecido de toda essa história. "Com pesquisas de opinião que mostram índices medíocres de popularidade e questionado dentro do seu próprio partido, Nicolas Sarkozy não poderia sonhar com um presente melhor", escreve o jornal.

Para o jornal de esquerda, Sarkozy agora vai poder usar o argumento que o Eliseu quer destruí-lo a todo custo e, por tabela, pode também colocar para escanteio Fillon, seu principal rival dentro do partido.

Mas o diário avalia que esse escândalo coloca a classe política francesa como um todo, mais uma vez, em uma situação bastante delicada.

Le Monde confirma escândalo na sua manchete

O jornal Le Monde na edição datada desta segunda-feira é categórico e afirma na manchete: "Fillon pediu que o Eliseu acelerasse os processos contra Sarkozy". Segundo o jornal, o ex-primeiro-ministro teria pedido ao secretário do Eliseu que desse um jeito de acelerar as investigações sobre o escândalo Bygmalion, um esquema de notas frias e caixa 2 da campanha para a presidência de Sarkozy.

Fillon, diz o jornal, sabia que a revelação do envolvimento de assessores diretos de Sarkozy nesse tipo de escândalo seria "devastadora" para as pretensões do ex-presidente. Por isso, em um almoço com Jean-Pierre Jouyet, braço-direito de François Hollande, ele teria dito que era preciso "bater forte em Sarkozy". Os jornalistas do jornal Le Monde dizem que têm uma "fonte altamente segura" capaz de confirmar o almoço e esse pedido de François Fillon.

Jouyet sob pressão dos jornalistas

O jornal Les Echos coloca logo na primeira página as contradições de Jouyet. Na quinta-feira passada, ele disse que Fillon jamais havia feito tal pedido. Depois, sob pressão dos jornalistas, que dizem ter provas e publicaram um livro com essas revelações, ele voltou atrás.

O secretário do Eliseu confirmou que o ex-premiê estava "muito preocupado" com as contas do seu partido e com o esquema fraudulento de notas frias da campanha de Sarkozy. Mas Jouyet disse ter deixado claro durante o encontro que a Presidência da República não interferia em assuntos da esfera do Judiciário. Fillon, que sai com a imagem bastante arranhada dessa história, negou tudo e disse que o secretário do Eliseu está mentindo.
 

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