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Moda/Gucci

Sem conseguir sair da crise, Gucci muda de direção

Fachada de loja da Gucci na China, principal mercado para marcas de luxo, mas que registra uma desaceleração nas vendas.
Fachada de loja da Gucci na China, principal mercado para marcas de luxo, mas que registra uma desaceleração nas vendas. REUTERS/Alex Lee

A marca de moda Gucci anunciou nesta sexta-feira (12) que Frida Giannini deixa a direção artística da empresa. A grife italiana, que pertence ao grupo de luxo francês Kering, também se separa de seu presidente, Patrizio di Marco. As medidas são anunciadas em pleno contexto de crise na marca, que apresenta uma desaceleração em suas vendas.

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Frida Giannini era responsável pelo estilo da Gucci há oito anos, quando sucedeu Tom Ford, mas trabalhava na empresa há mais de uma década. Ela deixará o cargo no dia 25 de fevereiro, após a apresentação, em Milão, da coleção outono-inverno 2015-2016. O nome de seu substituto ainda não divulgado.

Além do possível anúncio do novo diretor artístico da Gucci, a próxima temporada de desfiles do prêt-à-porter vai marcar várias estreias, que atestam a verdadeira dança das cadeiras vivida pelo mundo da moda nos últimos anos. De John Galliano, que assumiu a batuta da Maison Martin Margiela, e desfila excepcionalmente em Londres, passando por Peter Copping, que faz seu début na grife Oscar de la Renta em Nova York, até a menos conhecida Nadège Vanhee-Cybulski, que mostrará do que é capaz em sua primeira coleção à frente da Hermès em Paris, no lugar de Christophe Lemaire, os meses de fevereiro e março serão animados para quem segue o circo das Fashion Week.

Mas no caso da Gucci, a saída de Frida Giannini coincide com mudanças também na gestão da empresa, já que a estilista deixa a marca italiana ao mesmo tempo que seu marido, Patrizio di Marco, presidente da grife. O dirigente, que pilotava a Gucci desde 2009, será substituído por outro italiano, Marco Bizzarri, que ficou conhecido no grupo Kering como o responsável pelo sucesso de Bottega Veneta, outra empresa do gigante do luxo.

Gucci em crise

As mudanças acontecem em um momento delicado na trajetória da Gucci. Mesmo se a empresa, fundada em 1921 como fabricante de bolsa e outros artigos de viagem, registrou no ano passado um faturamento de € 3,56 bilhões (R$ 11,7 bilhões), suas vendas vêm sofrendo uma desaceleração visível, sem crescimento em 2013 e com uma queda prevista para este ano. A estratégia de aumento de preços, implementada por Patrizio di Marco, é apontada por alguns especialistas como a responsável por esses números.

Mas a marca também sofre com a desaceleração do mercado chinês, onde estão os principais consumidores de produtos de luxo atualmente no mundo, e com a concorrência de grifes que adotaram uma política de preços mais acessíveis, como Michael Kors. Sem esquecer o contexto político em Hong Kong e até da crise na Rússia, que também tiveram impacto nos resultados da marca.

No entanto, o que mais preocupa os especialistas do setor, é que, assim como Louis Vuitton no grupo LVMH, Gucci representa a principal fonte de renda do conglomerado Kering, que também detém as grifes Saint Laurent, Balenciaga e Puma. A marca italiana representa mais da metade dos lucros do grupo. 

A cotação de Kering perdeu 2,01% na bolsa de Paris após o anúncio da saída de Frida Giannini e Patrizio di Marco. 

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