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François Hollande pode estar sendo traído por funcionários de confiança, diz Le Monde

O presidente francês, François Hollande, desconfia de funcionários próximos no Palácio do Eliseu.
O presidente francês, François Hollande, desconfia de funcionários próximos no Palácio do Eliseu. REUTERS/Ian Langsdon/Pool

Desde que a revista de celebridades Voici publicou fotos do presidente francês, François Hollande, nos jardins do palácio do Eliseu com a suposta namorada Julie Gayet, a suspeita de que há um ou mais traidores no “entourage” presidencial se acentuou. Uma reportagem publicada na edição de domingo (21) do jornal Le Monde mostra como Hollande passou a desconfiar cada vez mais dos funcionários do Eliseu – e para ele, o ex-presidente Nicolas Sarkozy está por trás dessa espionagem.

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A análise das fotos mostra que elas foram tiradas das dependências privadas do presidente, portanto por um dos funcionários próximos ao chefe de Estado. “O Eliseu se tornou um ninho de espiões?”, questiona o jornal francês, afirmando que o socialista “não consegue mais confiar” em ninguém depois da publicação das imagens, em novembro.

Essa não foi a primeira vez que o presidente se viu exposto na imprensa da uma maneira suspeita. Informações confidenciais, “às quais um número extremamente restrito de colaboradores tem acesso”, vêm escapando para a imprensa regularmente.

O primeiro alerta aconteceu em março, quando a agenda privada de Hollande, escrita diariamente em um pequeno cartão e entregue a poucos funcionários, foi publicada no Journal du Dimanche. Depois da divulgação, lembra o vespertino, alguns empregados deixaram de receber o relatório das atividades do presidente, um sinal de desconfiança de Hollande.

Mais fotos indiscretas

Mas a medida não impediu “indiscrições permanentes”, com “pequenos detalhes e anedotas da vida do gabinete presidencial” circulando ou sendo vazadas aos jornalistas, destaca o Monde. Até que outra revista, a Closer, flagrou o presidente em trajes de banho durante uma estadia na casa da cunhada de um de seus amigos mais próximos.

“Os que sabiam que [ele estaria lá] se contam nos dedos de uma mão”, observa o diário. A repetição dos casos, e em especial o último, convenceu o presidente de que há “sistemas de informações múltiplas” no palácio.

Suspeito: Nicolas Sarkozy

“A paranoia tomou conta”, afirma o jornal, e levou os seguranças presidenciais a descobrirem que o fotógrafo autor do flagra usava uma moto que pertence à agência E-Press – a mesma que emprega o fotógrafo escolhido por Nicolas Sarkozy para acompanhá-lo nos bastidores do seu recente retorno à política. “Para o presidente, o autor tem nome”, sublinha Le Monde, em alusão ao ex-presidente.

Ao diário, uma fonte próxima de Sarkozy nega as acusações e ainda ressalta que, neste momento, não é o ex-presidente “quem tem mais meios” de obter informações sobre os rivais políticos.

Depois deste furo, cinco agentes do serviço privado foram transferidos de posto. Quatro deles acompanhavam Sarkozy desde a época em que ele era ministro do Interior, e permaneceram no palácio após a troca na presidência. Um conselheiro de Hollande disse ao Le Monde que “alguém que trabalha no Eliseu traiu o presidente”, levando-o a reagir – ele que, ao assumir o cargo, se recusava a seguir à risca as normas de segurança e quis aliviar as regras, recorda o jornal.

Ainda segundo Le Monde, Hollande solicitou ao comandante militar do palácio investigar quem seria o traidor. Mas “sem um mandado judicial, ou seja, sem verificações mais rigorosas, o culpado não foi identificado, e provavelmente não será jamais”, afirma o diário, destacando que o Eliseu tem 900 funcionários.
 

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