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Ebola recua na África e ONG faz autocrítica sobre atendimento às vítimas

Centro de tratamento contra o Ebola na Guiné.
Centro de tratamento contra o Ebola na Guiné. AFP PHOTO KENZO TRIBOUILLARD

O jornal francês Libération dedicou em sua edição desta quinta-feira (4) uma ampla reportagem para mostrar o recuo da febre hemorrágica ebola nos países mais atingidos pela epidemia. Por outro lado, o jornal revela as críticas feitas internamente pelos dirigentes da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) sobre falhas no atendimento às vítimas.

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"O recuo" foi a manchete escolhida por Libération para falar do freio na progressão do vírus que matou cerca de nove mil pessoas e devastou diversos países do oeste da África, desde o final de 2013. Apesar de não poder se falar ainda de erradicação do ebola, os que estão na linha de frente no combate ao vírus respiram mais aliviados, constata o jornal.

Nos três países mais atingidos pela febre hemorrágica - Guiné, Serra Leoa e Libéria -, houve uma redução drástica de casos em janeiro e, pela primeira vez em sete meses, o número de novos infectados semanalmente ficou abaixo de 100, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Na Libéria, exemplifica o jornal, na semana de 4 a 11 de janeiro foram confirmados 15 casos, bem abaixo da média de 300 infectados a cada semana, durante os meses de agosto e setembro de 2014.

Cedo para falar no fim do ebola

O coordenador da luta contra o ebola na França diz que ainda é cedo para falar no fim da epidemia. "É como um carro em ponto morto que pode arrancar a qualquer momento", comparou Jean-François Delfraissy em entrevista ao Libé.

Segundo ele, os motivos para a queda de casos ainda não estão claros. No entanto, Delfraissy cita vários fatores que tiveram impacto positivo como os esforços da comunidade internacional, as ações sanitárias adotadas nos países mais atingidos e até a maior facilidade de acesso ao tratamento neste período de seca na região ocidental da África.

Se houvesse uma vacina eficaz, o cenário poderia ser diferente, diz Delfraissy. Ele diz que muitos infectados não confiam no sistema de saúde público e circulam ainda muitos rumores infundados sobre a doença.

Até o momento, informa Libération, são 14.560 casos confirmados e 4.760 mortes contabilizadas. A grande preocupação dos especialistas agora é, segundo o diário, uma eventual mutação do vírus que poderia provocar uma nova epidemia em larga escala.

ONG faz autocrítica sobre atendimento

Libération lembra que a ação da ONG humanitária Médicos Sem Fronteiras foi elogiada no mundo inteiro, mas, no interior da organização, surgiram questionamentos duros sobre o tratamento oferecido aos pacientes.

O jornal teve acesso a uma carta aberta assinada por altos dirigentes da ONG na qual denunciam um “fracasso coletivo da MSF para demonstrar que a sobrevivência de cada paciente é uma batalha a ser empreendida". A ONG teria institucionalizado uma "forma de não-assistência a pessoas com risco de vida", o que constituiria, "uma afronta grave ao código de ética e conduta dos membros da organização", assinala Libé.

Em entrevista ao jornal, o ex-presidente e atual membro da ONG Médicos Sem Fronteiras, Rony Brauman, afirma que a carta traduz o orgulho pela mobilização de profissionais engajados e compromissados com uma operação desgastante e muito delicada. Ao mesmo tempo, ele pensa que o texto revela a frustração de terem visto tantas vidas que poderiam ter sido salvas sendo ceifadas pelo ebola.
 

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