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imprensa francesa

A angústia cresce, mas franceses terão de aprender a resistir à ameaça terrorista

Memorial às vítimas do ataque terrorista em Copenhague, na Dinamarca, em foto desta segunda-feira, 16 de dezembro de 2015.
Memorial às vítimas do ataque terrorista em Copenhague, na Dinamarca, em foto desta segunda-feira, 16 de dezembro de 2015. REUTERS/Hannibal Hanschke

Os jornais franceses desta segunda-feira (16) destacam em suas manchetes o duplo atentado terrorista do fim de semana em Copenhague, a capital da Dinamarca. O ataque reativou o trauma vivido pelos parisienses em janeiro, quando três terroristas mataram 17 pessoas em três dias.

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O diário popular Aujourd'hui en France se dirige aos seus leitores para dizer que será preciso "aprender a resistir à ameaça terrorista", dominando a ansiedade no cotidiano. Por meio de várias reportagens, o jornal mostra como o assunto é potencialmente desestabilizador.

A associação SOS Amizade, que recebe chamadas telefônicas de pessoas solitárias, declara ter notado um aumento de reclamações por crise de angústia. Uma voluntária conta que quando ela começou a trabalhar, alguns anos atrás, essa reclamação não era frequente. Mas "o cerco aperta", segundo a voluntária entrevistada pelo Aujourd'hui en France.

A voluntária explica que pessoas frágeis psicologicamente são facilmente influenciadas pelo clima de medo, e os atentados aumentaram o desconforto emocional. "É como se estivéssemos em uma ilha vendo a maré subir", diz a representante da SOS Amizade. "Os atentados amplificaram o sentimento de opressão", acrescenta.

Um psiquiatra ouvido pelo jornal considera que a melhor maneira de combater esses sentimentos negativos é buscar reconforto e proteção nos amigos, familiares e colegas de trabalho.

Internacional fundamentalista

Para o jornal Le Figaro, depois dos ataques sangrentos de janeiro em Paris e a repetição do mesmo cenário em Copenhague, os europeus precisam aprofundar, com urgência, a cooperação policial e dar uma resposta judicial forte, de maneira a inibir a propagação do terrorismo islâmico na Europa. Diário de linha conservadora, Le Figaro afirma em seu editorial que o islamismo radical é como "um câncer" que só pode ser combatido com a união dos governos europeus.

O atirador de Copenhage visou os mesmos alvos que os terroristas de Paris: um caricaturista, judeus e policiais. Em todo o Ocidente, segundo o jornal, o terror tenta destruir a liberdade de expressão, os valores judaico-cristãos e a ordem democrática. É uma "internacional islâmica", diz o Figaro, defendendo "um combate impiedoso contra os soldados da intolerância e do crime que tentam aniquilar os europeus e ameaçam o mundo".

"Somos todos dinamarqueses"

Libération publica sua manchete em dinamarquês: "Vi er danskere" (somos todos dinamarqueses, em tradução livre), uma alusão ao slogan "Eu sou Charlie" . Como o resto da imprensa, em seu editorial o Libération afirma que é muito importante não ceder à intimidação dos terroristas e de forma coletiva.

É lamentável que o "obscurantismo e o antissemitismo tenham voltado à Europa" quando a maioria pensava que esses fantasmas estavam enterrados, observa o jornal. "A única solução é permanecermos unidos, com o mesmo espírito da manifestação de 11 de janeiro", quando 4 milhões de franceses saíram às ruas em apoio à liberdade de expressão.

Libération critica o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahou, que, em campanha eleitoral, convidou os judeus da Europa a se mudar para Israel, onde estariam supostamente em segurança. "Fugir seria ceder ao terrorismo", critica o Libération.
 

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