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Imprensa

Plano de Valls para combater o "apartheid" nas periferias francesas é criticado

Manuel Valls apresenta medidas para combater a exclusão social de jovens da periferia francesa.
Manuel Valls apresenta medidas para combater a exclusão social de jovens da periferia francesa. FP PHOTO / PASCAL LACHENAUD

Na esteira do atentado contra a redação do Charlie Hebdo e do ataque ao supermercado judaico, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, usou o termo "apartheid" para descrever a situação dos jovens das preriferias pobres da França. Para o ministro, essa população marginalizada era um alvo fácil para doutrinas jihadistas. Nesta sexta-feira (6), Valls volta a tocar nesse assunto e esse é o destaque dos jornais de hoje.

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Um comitê interministerial vai anunciar nesta sexta-feira as medidas para lutar contra esse “apartheid” social. Mas os jornais estão longe de estarem entusiasmados. Mesmo o Libération, em geral mais favorável ao governo socialista, é bastante crítico.

Na capa de hoje, o jornal avalia que o premiê vai usar "palavras de peso", mas as medidas serão fracas. O principal motivo é a situação dos cofres públicos. Com a economia francesa patinando e com a obrigação de controlar as despesas, o governo não tem recursos para grandes investimentos.

Por isso, segundo o Libé, essas medidas para combater o problema da desigualdade social que atinge os mais jovens devem ser modestas. A principal delas é o reforço do serviço cívico não obrigatório.

Segundo o presidente François Hollande, qualquer jovem que se apresentar a partir de 1° de junho deste ano para prestar esse serviço será admitido. A expectativa é a de atrair 160 mil jovens. Para o jornal, esse programa é muito pouco. Os bairros pobres precisam de muito mais, avalia. "Hollande está perdendo uma grande oportunidade de dar um novo fôlego a essa segunda metade do seu mandato", sentencia Libération.

Le Figaro também destaca o problema dos bairros pobres da França

"Bairros à margem da República", assim o jornal Le Figaro classifica essas comunidades que lembram algumas favelas brasileiras. Nesses enormes conjuntos habitacionais, como os localizados em Marselha, no sul da França, o tráfico de armas e de drogas é constante. Em 2012, o governo francês criou as "zonas de segurança prioritárias" que tinham como objetivo instalar unidades da polícia.

Ao todo, foram escolhidos 80 bairros em todo o país. Mas, segundo o jornal, dois anos após o lançamento dessas medidas, o governo está calado. Nenhum resultado foi apresentado. Em uma grande reportagem em suas páginas internas, Le Figaro traz uma lista de locais onde os bandidos conseguem impor a sua própria lei.

Entrevistada pelo jornal, Samia Ghali, senadora do Partido Socialista, defende a intervenção do exército em determinados bairros. Em um conjunto habitacional popular de Marselha, diz a senadora, a polícia foi atacada por bandidos. Esse tipo de situação tem que levar a outras formas de combate da violência, opiniou ao diário.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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