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Olimpíadas/2016

Prefeito do Rio teme atrasos em obras das Olimpíadas devido a Lava Jato

Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, vistoriando uma das obras previstas para os Jogos Olímpicos de 2016.
Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, vistoriando uma das obras previstas para os Jogos Olímpicos de 2016. Foto: Reuters

A 500 dias dos Jogos Olímpicos de 2016, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, esteve em Buenos Aires para presidir a reunião do Forum Latino-americano C40, um grupo de prefeitos de grandes cidades contra o aquecimento global. Em entrevista à RFI Brasil, Eduardo Paes garante que não há mais nenhum atraso na execução de obras, mas admite temer que alguma das sete empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, e responsáveis por 11 obras na cidade, possa quebrar e, com isso, atrasar com o cronograma de obras.

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De Buenos Aires, Márcio Resende para a Rádio França Internacional,

Na entrevista, Eduardo Paes explicou à RFI porque a Copa do Mundo não deve ser considerada um exemplo de sucesso para o Brasil. Para o prefeito do Rio, o país deu um "mau exemplo" para o mundo e que agora os Jogos Olímpicos precisam lutar contra essa imagem negativa.

Paes também explicou o esquema de “picaretagem” em obras no Brasil e países vizinhos e disse ser "totalmente favorável" à construção de um campo de golfe tão criticado por ambientalistas por, supostamente, estar numa área de proteção ambiental. O polêmico campo de golfe prevê a construção de 23 edifícios de 22 andares na proximidade da reserva de Marapendi.

O prefeito lamenta ainda a oportunidade perdida pelo Rio de Janeiro de não cumprir a meta de despoluir a Baía de Guanabara em, pelo menos, 80%, mas garante que os Jogos Olímpicos não serão afetados por essa meta não cumprida. O problema mesmo é para quem fica, não para "gringo ver".

A seguir, trechos da entrevista com Eduardo Paes:

RFI - O senhor teme que as obras possam sofrer algum atraso por conta da Operação Lava Jato já que há empreiteiras com 11 obras para os Jogos Olímpicos?

EP - Temer, eu temo. Aliás, eu temo todos os dias. Sou um prefeito em pânico, sempre querendo fazer as coisas acontecerem. Isso é do meu ofício. O que eu posso te garantir é que não há Lava Jato na Prefeitura do Rio nem nas nossas obras. Por isso, as nossas obras caminham tão bem e continuam. Agora, se uma empresa dessa quebra, se tem uma crise sistêmica no Brasil, aí sim, mas, em princípio, está caminhando bem. Não afetou, pelo menos por enquanto.

RFI- O senhor acha que existe um exagero de parte dos países desenvolvidos e até um preconceito quanto a nossa capacidade de organização?

EP -Eu não chamaria de preconceito, mas tem lá uma expressão inglesa um “distrust”. Não é exatamente uma característica de "nosotros" sul-americanos e latino-americanos entregar as coisas no preço e no prazo. Então, justifica-se esse preconceito. Acho que a gente tem é que se provar cada vez mais. Por exemplo, essas coisas que falaram do golfe. Por que eu preparei um dossiê e pus na Internet. Porque a nossa história é essa: sempre tem uma “picaretagenzinha” no meio. É aqui na Argentina. É no Brasil. Então, o que a gente tem de fazer é o seguinte: superar as expectativas. A única maneira de superar as expectativas negativas é fazendo as coisas direito. Eu não acho que a Copa tenha sido um bom exemplo para isso. Eu fujo do senso comum. Eu não acho que a Copa tenha sido uma maravilha. Como evento, festa, foi. Agora, que brasileiro faz festa bem, todo mundo já sabia. Mas e os estádios, e os preços dos estádios, né? Acho que a gente tem uma chance de mostrar para o mundo que a gente consegue fazer as coisas no custo, no prazo, direito, arrumado. Acho que a gente tem que se esforçar. Agora, a desconfiança deles é até compreensível porque a nossa história não é essa beleza toda.

RFI - Haverá aumento de custos? A desvalorização do real prejudica o orçamento para os Jogos Olímpicos?

EP - Você tem até o final das Olimpíadas, um estágio... a Arena de Copacabana. Será construída só no ano que vem. Isso não está naquele custo ainda. Mas o que tem ainda para entrar no custo, aparece "sem custo". Então, não teve aumento em nada que foi feito. Pelo contrário, até a redução de alguns valores. Em relação à questão do câmbio, é o contrário: pode até ajudar porque o comitê organizador recebe muitos dos recursos em dólar. Como o dólar está valendo mais e eles pagam boa parte das contas em real, e vão receber em dólar.

RFI -A construção de um campo de golpe perto de uma reserva não trará riscos ambientais?

EP - Ali podiam fazer 96 prédios. Não numa área de reserva, mas na área que se pode construiu. Nós reduzimos para 26. Reduzimos o potencial construtivo
A minha postura é totalmente favorável. Nós pegamos uma área degradada na década de 80, onde os CIEPs, aqueles concretos dos CIEPs eram guardados, onde é o campo de golfe. O que chamam de reserva era um lugar de extração de areia. Nesse site, você vai ver inclusive as fotos. Da década de 80, da década de 90. Vai ver fotos de 2011 naquela área. Fotos de 2012, 2013 e de agora. Na verdade, nós aumentamos enormemente a vegetação. Chega ao cúmulo, a ignorância é tanta, não é sua, é daqueles que contam mentira sobre o campo, falam que estamos matando a Mata Atlântica ali. Não tem nem Mata Atlântica ali. É um tipo de vegetação chamada de vegetação de restinga, que é típica daquela região e é o que a gente está recuperando.

RFI - Qual o impacto dos Jogos Olímpicos para a Baía de Guanabra?

EP - Não afeta para a Olimpíada porque a Olimpíada é feita próxima da entrada e da saída da Baía de Guanabara. Ou seja: do lugar mais limpo da baía. Depois, durante a Olimpíada, no mês de agosto, chove muito pouco. Então, os resíduos sólidos do esgoto acabam não sendo levados. E você tem um plano de contingência. A nossa preocupação não é com a Olimpíada. O que eu disse é o seguinte: eu acho que a Olimpíada significa uma enorme chance de transformação.  Eu acho que se perdeu uma oportunidade para a cidade, aliás, para a região metropolitana do Rio de ter a Baía de Guanabara totalmente recuperada. Ou pelo menos de se atingir a meta de 80%. Eu posso dizer que era responsabilidade do Governo do Estado, que não era minha, mas é ruim que não se cumpra essa meta. Então vamos tentar cumprir pelo menos a meta de 80%.  Para a Olimpíada em si, isso não tem problema. Acho que é parecido com o negócio da segurança. O Rio, mesmo nos seus momentos mais violentos, sempre fez evento internacional com muita tranquilidade. O problema não é a segurança de um evento, não é a Baía de Guanabara. O problema é a segurança para a gente todo dia. É a Baía de Guanabara para a gente todo dia. Não é para gringo ver.

 

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