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Aumento de impostos foi um erro, admite primeiro-ministro da França

Capa do jornal francês Le Figaro desta quarta-feira, 1 de abril de 2015
Capa do jornal francês Le Figaro desta quarta-feira, 1 de abril de 2015

A situação desconfortável do primeiro-ministro francês, Manuel Valls, com a derrota do Partido Socialista nas recentes eleições departamentais continua em destaque na imprensa nesta quarta-feira (1). Um erro do governo, admitido pelo premiê, ganhou a manchete do diário Le Figaro, que faz oposição ferrenha ao governo socialista.

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Le Figaro estampou a confissão de Manuel Valls de um erro grave cometido pelo governo: "Os impostos sufocaram a economia". A declaração de Valls foi feita para tentar explicar a derrota humilhante dos socialistas nas eleições departamentais de domingo.

O fracasso teve efeitos colaterais inesperados, avalia o jornal conservador, referindo-se à frase do primeiro-ministro. Valls reconheceu que o erro custou caro à economia francesa e, como consequência, ao governo, que perdeu sua quarta eleição consecutiva para a oposição de direita.

Depois de admitir que os franceses estão "cheios" e "revoltados" com tantos aumentos de impostos, Valls aposta em duas medidas: o chamado pacto de responsabilidade, para ajudar as empresas a investir e criar empregos, e o anúncio de um alívio fiscal para os franceses com salários modestos. As medidas devem atingir 9 milhões de famílias e custar aos cofres públicos € 3,2 bilhões, informa o jornal.

O sentimento de revolta dos franceses tem respaldo em dados concretos, escreve Le Figaro. Em 2013, a França foi o segundo país que mais cobrou impostos de seus cidadãos, em comparação com outros países que fazem parte da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Só perdeu para a Dinamarca.

Críticas dentro do próprio partido

Libération analisou o resultado de uma reunião do premiê ontem, na Assembleia, com deputados socialistas e de outros partidos da base aliada, e concluiu: Manuel Valls não encontrou as palavras certas para mobilizar e voltar a resgatar a confiança dos parlamentares. Muitos deles voltaram deprimidos de seus redutos eleitorais pela recente derrota nas urnas.

Um deputado socialista ouvido pelo Libé resumiu os motivos pelo voto crescente na extrema-direita, em várias regiões do país: o êxodo urbano de uma população que se sente empobrecida, o sentimento de que o trabalho está desvalorizado e o medo irracional com o crescimento do islamismo. Outros parlamentares estimam que o grande problema não é a divisão dos partidos de esquerda, como justificou o primeiro-ministro, e, sim, o desinteresse cada vez maior dos franceses pela política.

 

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