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Jornais analisam o que mudou para a França vender caças Rafale com mais facilidade

O presidente francês, François Hollande, oficializa venda de mais 24 aviões de caça Rafale, desta vez ao Catar.
O presidente francês, François Hollande, oficializa venda de mais 24 aviões de caça Rafale, desta vez ao Catar. AFP/Patrick Baz

A venda de 24 aviões de caça franceses Rafale ao Catar, oficializada nesta segunda-feira (4) durante visita do presidente François Hollande a Doha, é um dos principais destaques na imprensa. Depois de passar vários anos tentando exportar os caças fabricados pela Dassault, sem sucesso, em quatro meses a França conseguiu vender 84 unidades ao Egito, à Índia e, agora, ao Catar.  

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O resultado comercial do governo socialista surpreende, considerando os esforços em vão feitos anteriormente pelos governos de direita, como no caso das negociações entre o ex-presidente Nicolas Sarkozy e o Brasil. O jornal Les Echos questiona o que mudou nas propostas para se alcançar o objetivo tão rapidamente.

Uma das razões, segundo o diário, é a intensificação dos conflitos no Oriente Médio. Outro ponto levantado pelo jornal é que o governo Hollande cedeu a uma "chantagem do Catar": para comprar os Rafale, o emirado árabe exigiu que a França abrisse seu mercado interno de aviação à companhia Qatar Airways, o que o presidente Hollande aceitou, correndo o risco de criar um enorme problema financeiro para a Air France.

Les Echos considera perigoso a França ter aberto esse precedente. Enquanto o diário fala em "chantagem comercial", o governo socialista fala em "pragmatismo comercial".

O jornal La Croix evoca o aspecto político do negócio, lembrando que, depois do Catar, Hollande ainda vai à Arábia Saudita para assistir ao encontro de cúpula dos países árabes do Golfo Pérsico. "Hollande é o primeiro líder ocidental convidado para esse encontro", destaca o diário católico.

Ao assinar contratos de armamento com o Catar e dar apoio explícito à Arábia Saudita na luta contra o grupo Estado islâmico, a França se mostra uma aliada dos países sunitas inimigos do Irã xiita. Se posicionar claramente por um campo ou pelo outro pode ser complicado nessa região, nota o La Croix.

A sorte da França, de acordo com o jornal, é que o Irã também tem interesse em combater os jihadistas. La Croix incita Paris a se posicionar de forma mais contundente contra o excesso de rigor religioso na Arábia Saudita.

Em entrevista ao diário conservador Le Figaro, o presidente da fabricante Dassault, Eric Trappier, reconhece que o reforço da parceria estratégica do governo francês com o Catar foi fundamental para a conclusão do negócio. Todas as partes se adaptaram para fazer triunfar a relação político-militar-comercial, afirma o executivo.

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