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Imprensa francesa

Vitória dos conservadores no Reino Unido ameaça a União Europeia?

"Rei Cameron!", na capa do Le Figaro.
"Rei Cameron!", na capa do Le Figaro. Reprodução

Os jornais franceses deste fim de semana repercutem e analisam a vitória do Partido Conservador nas eleições britânicas da última quinta-feira (7). A principal preocupação manifestada por todos é quanto ao futuro da União Europeia, diante das promessas do agora mais poderoso do que nunca David Cameron, de renegociar o pertencimento do Reino Unido ao bloco continental.

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“Preocupação na Europa”. Essa é a manchete do Le Monde que, em editorial de capa, diz que a Grã-Bretanha vai precisar se confrontar, até 2017, com uma questão pesada e existencial: a permanência na União Europeia e a própria unidade do Reino Unido. O ameaça eurocética no país é real, diz o Le Monde, já que o partido antieuropeu Ukip obteve 14% dos votos – embora isso tenha se traduzido em apenas dois assentos no parlamento.

O Le Monde diz que o cenário mais desejável para os próximos anos é que a maioria dos britânicos vote por permanecer na União Europeia, e é justamente o que apontam as pesquisas de opinião, embora os institutos de pesquisa tenham saído desmoralizados desta eleição. O Le Monde acredita que uma eventual decisão de sair do bloco poderá desestabilizar ou até causar o desmantelamento do próprio Reino Unido.

Para fechar, o jornal diz que toda esta incerteza está na origem de um fenômeno que foi ignorado durante a campanha: a diminuição da importância do país no cenário internacional. Diz o Le Monde: “O Reino Unido hoje é pouco ouvido em Bruxelas, marginalizado pela dupla franco-alemã na Ucrânia e pouco presente na estabilização do sahel africano”.

Figaro otimista

O jornal conservador Le Figaro não conteve seu entusiasmo com a eleição de David Cameron na Inglaterra. “Rei Cameron!”, com direito a ponto de exclamação, é a manchete do diário. Em editorial, o Figaro diz que, ao contrário do que possa parecer, a vitória conservadora vai ajudar a Inglaterra a permanecer na União Europeia.

Mesmo que Cameron tenha sido eleito com a promessa de fazer uma consulta popular sobre o tema, no fundo, o próprio primeiro-ministro seria a favor se continuar no bloco, além de seus amigos empresários e financistas da City de Londres. As exigências de mais autonomia por parte da Escócia, diz o Figaro, também deve contar a favor da permanência na União Europeia. A pressão deve levar a um novo pacto federativo britânico, em que a posição escocesa de permanecer fiel ao bloco deve contar ainda mais.

“Resta agora aos europeus aproveitar essa chance de manter o Reino Unido dentro de uma Europa unida”, diz o Figaro, se referindo à nova relação de forças que Cameron diz querer ter com o continente, especialmente com Berlim, que vai precisar ceder em alguns pontos.

Libération: “medo”

Já o jornal de esquerda Libération creditou a vitória dos conservadores à mensagem de "medo e inquietude" que David Cameron teria "martelado" sobre os eleitores ao longo de toda a campanha, nas palavras do jornal.

Os tories também teriam tido sucesso em seu discurso de relembrar a pouca credibilidade econômica do candidato da oposição trabalhista, Ed Miliband. O Libération lembra que esta não será a primeira vez que o Reino Unido terá de lidar com um British Exit, ou seja, o movimento de retirada dos britânicos do bloco europeu. Em 1975, os trabalhistas organizaram o referendo que deu 67% pela permanência do reino na então Comunidade Econômica Europeia. Mas o contexto atual, diz o Libération, é completamente diferente. Uma retirada agora poderia enfraquecer muito o bloco.

O jornal também lembra que a França se recusa a renegociar as condições de permanência do Reino Unido, como quer Cameron. Um diplomata francês ouvido pelo Libération e que não se identificou diz que Cameron quer uma Europa à la carte: ficando apenas com o que é bom e exigindo tudo dos parceiros.
 

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