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Le Figaro denuncia destruição de patrimônio cultural da Síria e do Iraque pelo grupo EI

"Como os jihadistas destroem os tesouros do Iraque e da Síria", é a manchete de capa do jornal Le Figaro nesta sexta-feira (15).
"Como os jihadistas destroem os tesouros do Iraque e da Síria", é a manchete de capa do jornal Le Figaro nesta sexta-feira (15). Le Figaro/Reprodução

O jornal Le Figaro desta sexta-feira (15) estampa em sua capa uma dura consequência do caos na Síria: a destruição de tesouros culturais milenares pelo grupo extremista Estado Islâmico. Os jihadistas avançam na direção de Palmira, que abriga um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo, com construções da época do império greco-romano que pertencem ao Patrimônio Cultural da Unesco.

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Desde que o grupo Estado Islâmico tomou a região entre a Síria e o Iraque, os jihadistas não poupam as relíquias da região. A ideologia do grupo é contra a adoração de símbolos e objetos, escreve Le Figaro, o que tem levado à destruição de museus, mesquitas e bibliotecas pelos jihadistas. Um dos casos mais recentes é a destruição da biblioteca do museu de Mossul, no Iraque, queimada pelos jihadistas no mês passado. "São séculos de patrimônio incendiados", afirma o diário francês em tom revoltado. 

Os extremistas transformaram o tráfico de antiguidades sua segunda fonte de financiamento, que só perde para o petróleo, informa Le Figaro. As peças mais valiosas acabam sendo revendidas. De acordo com o Figaro, a exportação aos Estados Unidos de objetos de mais de 100 anos, originários da Síria, aumentou em 133% de 2012 a 2013 e do Iraque, em 1.302%.

O diário descreve a situação como "uma verdadeira carnificina cultural". A Unesco acusa o grupo Estado Islâmico de crimes contra a humanidade. Já o ministro iraquiano das Antiguidades, Adel Fahd al-Cherbab, diz que com os roubos e a destruição do patrimônio, os extremistas "assassinam a civilização islâmica".

Com o objetivo de buscar uma solução para essa situação, representantes de 11 países árabes estão reunidos no Cairo, a capital do Egito. A grande preocupação dos países árabes é encontrar uma forma de barrar os jihadistas antes que eles cheguem em Palmira.

Operação de comunicação

Os jihadistas criaram uma forte estratégia de comunicação em torno da destruição do patrimônio cultural da Síria e do Iraque. A devastação de museus e igrejas, feita à base de marretas, machados e explosivos, é cuidadosamente filmada e divulgada em sites extremistas. O apelo traz resultados. Milhares de objetos são facilmente revendidos no mercado negro pelo grupo.

"Em geral, eles destroem o que é muito grande para tranportar ou o que é facilmente identificado como antiguidade. Para o resto, assistimos a uma verdadeira devastação que envolve também a escavação de sítios arqueológicos da região", explica al-Cherbab ao jornal francês.

A população também é encorajada a participar do contrabando. "Os jihadistas aproveitam da vulnerabilidade e da grande pobreza dos habitantes para incitar o tráfico entre a população, retirando sempre uma porcentagem das vendas para o grupo antes de revender os objetos", diz o ministro iraquiano das Antiguidades.

Fracasso do regime sírio

O jornal Libération traz em sua capa e suas cinco primeiras páginas uma reportagem especial e detalhada sobre o caos na Síria. "Desgraça militar, poder dividido, economia lívida: uma atmosfera de fim de reinado toma conta da capital, Damasco, onde muitos consideram a queda de Bashar al-Assad como inevitável", descreve o diário.

A repórter franco-síria do Libération Hala Kodmani traz um panorama geral sobre o fracasso do regime sírio em gerenciar a crise política, mesmo sob a égide do Irã e da Rússia, seus principais aliados. Ela revela que, depois de quatro anos da guerra que reduziu o país a ruínas, os cofres do governo estão vazios e a ajuda financeira é cada vez mais escassa. A jornalista entrevistou um funcionário do regime sírio em Paris. Ele revelou que, há quatro meses, os militares não recebem mais salário.

A população síria, ou o que ainda resta dela, é a principal vítima da crise, e sente no bolso o peso da crise econômica e o recuo do apoio financeiro de Teerã e de Moscou, afirma o Libération. Desde o início do conflito, 310 mil sírios morreram e o número de refugiados que deixou o país se aproxima de 4 milhões de pessoas.

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