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Imprensa

Massacre em igreja de Charleston expõe "fratura racial", diz imprensa francesa

Coroas de flores são depositadas perto da Igreja Metodista de Charleston, na Carolina do Sul.
Coroas de flores são depositadas perto da Igreja Metodista de Charleston, na Carolina do Sul. REUTERS/Randall Hill

Em sua cobertura do crime cometido na tradicional Igreja Metodista de Charleston, na Carolina do Sul, que deixou nove mortos, a imprensa francesa desta sexta-feira (19) abordou dois temas sensíveis relacionados à tragédia: a questão racial e o porte de armas de fogo nos Estados Unidos.

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Libération dedica várias páginas para analisar o massacre cometido na noite de quarta-feira (17) durante um encontro de membros da Igreja Metodista de Charleston para rezar e discutir textos religiosos. O jornal afirma que o crime provocou manifestações de dor, medo e cólera por todo o país e reavivou um velho demônio da sociedade americana: a "fratura racial".

"Onde podemos ser livres? Onde podemos ser negros?", questiona Libération, em referência ao sentimento da comunidade negra. Segundo o jornal, as investigações vão esclarecer se o acusado, o jovem Dylann Roof, de 21 anos, tinha consciência da dimensão bastante simbólica de seu alvo. As igrejas protestantes americanas desempenham há muito tempo um papel cultural e político para os afro-americanos, lembra Libération.

De qualquer forma, para muitos fiéis e analistas, a tragédia só reforça o sentimento de perseguição, violência e discriminação enraizado há séculos na comunidade negra dos Estados Unidos.

Porte de armas em segundo plano

Le Figaro destaca que a cobertura da mídia americana se concentra basicamente na questão racial e dedica pouco espaço para o debate em torno do porte de armas, amplamente autorizado no país. Laure Mandeville, correspondente do jornal conservador francês, recorda que o jovem Roof recebeu a pistola de calibre 45 de presente de aniversário, em abril passado.

Segundo o jornal, o debate só ganhou projeção depois do apelo do presidente Barack Obama para um combate às armas de fogo. Até então, a única discussão sobre o tema havia sido durante um programa na rede de tevê CNN e o questionamento abordou a pertinência ou não do porte de armas para pastores e padres nas igrejas.

Le Figaro recorda que o fracasso retumbante do governo americano em convencer os congressistas a instaurar um arquivo sobre os antecedentes de pessoas com acesso a armas de fogo, como queria Obama.

Esse novo massacre pode ter um efeito de despertar a consciência dos cidadãos. Mas o jornal francê se pergunta: por quanto tempo e com que efeito?

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