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Música

UNESCO homenageou João Gilberto

O músico brasileiro João Gilberto. 24 de Agosto de 2008 no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Brasil.
O músico brasileiro João Gilberto. 24 de Agosto de 2008 no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Brasil. Ari Versiani / AFP

A UNESCO homenageou, este domingo, o compositor brasileiro João Gilberto com um minuto de silêncio na reunião do comité da organização, em Baku, no Azerbaijão. O ícone da Bossa Nova morreu aos 88 anos e a sua obra representou“um momento absolutamente excepcional da música cantada, falada, escrita na língua portuguesa”, considerou Sampaio da Nóvoa, Embaixador de Portugal na UNESCO.

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Este domingo, em Baku, no Azerbaijão, o início da 43.ª Sessão do Comité do Património, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) - que está a classificar novos bens materiais para Património Mundial – foi marcado por um minuto de silêncio em homenagem a João Gilberto.

O músico representa “um momento absolutamente excepcional da música cantada, falada, escrita na língua portuguesa”, afirmou à RFI António Sampaio da Nóvoa, embaixador de Portugal na UNESCO, que se encontra em Baku.

A sessão da manhã aqui do Comité abriu com um minuto de silêncio em homenagem a João Gilberto. O desaparecimento de João Gilberto é para as pessoas da minha geração, para pessoas como eu que muitas vezes se dizem tão brasileiras como portuguesas, que viveram uma parte das suas vidas no Brasil e que têm uma relação muito próxima com o Brasil, é evidentemente um momento muito triste que representa com um conjunto de artistas um momento absolutamente excepcional da música cantada, falada, escrita na língua portuguesa e é uma referência maior para todos nós. É um momento de sentida homenagem ao João Gilberto e a tantos outros cantores da época que marcaram gerações e, em particular, marcaram profundamente a minha geração”, afirmou Sampaio da Nóvoa.

Nascido em 1932 no estado brasileiro da Bahia, João Gilberto Pereira de Oliveira ficou mundialmente conhecido como um dos pais da Bossa Nova, um estilo musical derivado do samba e com influências do jazz, que surgiu no fim da década de 1950 pelas mãos do próprio, de Tom Jobim, Vinícius de Moraes e de jovens cantores e compositores da classe média do Rio de Janeiro.

Em Março de 1959, João Gilberto lançou o álbum "Chega de Saudade", considerado por muitos o marco inicial da bossa nova. Em 1960, o músico lançou "O Amor, o Sorriso e a Flor", com a canção "Samba de Uma Nota Só", e em 1962 dividiu o palco com Vinícius de Morais, Tom Jobim e o grupo vocal Os Cariocas. Depois, apresentou-se no Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall de Nova Iorque, cidade onde fixou residência durante anos e onde lançou vários discos.

Com a parceria com Stan Getz, o disco "Getz/Gilberto", que inclui o tema "Garota de Ipanema", recebeu um 'Grammy', considerado o Óscar da música, de melhor álbum em 1965.

Os últimos discos de João Gilberto foram "João, Voz e Violão" (2000), pelo qual foi distinguido com outro 'Grammy' na categoria 'Best World Music Álbum', e o CD "João Gilberto in Tokyo" (2004).

Apesar de ser um dos artistas mais conceituados no Brasil, João Gilberto encontrava-se afastado dos palcos há mais de uma década. A última vez que João Gilberto pisou os palcos foi em 2008, por ocasião das comemorações dos 50 anos da Bossa Nova. Uma das últimas vezes que o artista foi visto em contexto musical foi em 2015, quando apareceu num vídeo partilhado no Facebook da sua ex-mulher, Cláudia Faissol, a tocar "Garota de Ipanema" com a sua filha mais nova.

João Gilberto morreu este sábado, aos 88 anos.

(Com Lusa)

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