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AI denuncia expulsão de migrantes na Turquia

Amnistia Internacional denuncia deportação à força de migrantes pela Turquia
Amnistia Internacional denuncia deportação à força de migrantes pela Turquia Delil SOULEIMAN / AFP

A Amnistia Internacional denuncia a Turquia de ter passado os meses que antecederam a ofensiva militar contra a milícia curdo-síria a expulsar refugiados à força. Afirmações com base em dezenas de entrevistas a migrantes levadas a cabo entre julho e outubro deste ano.

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A Amnistia Internacional (AI) denunciou esta sexta-feira a Turquia pela expulsão à força de migrantes sírios antes mesmo da criação da chamada "zona de segurança".

O relatório "Enviado para uma zona de guerra: expulsões ilegais de refugiados sírios da Turquia", que tem por base dezenas de entrevistas a migrantes levadas a cabo entre julho e outubro deste ano, dá conta de que a polícia sujeitou os refugiados sírios a violência e ameaças para assinar documentos em que declaravam a intenção de regressar à Síria. 

No entanto, diz a ONG, o acontecia é que a Turquia forçava os migrantes a regressarem a uma zona de guerra e a colocar as suas vidas em risco.

"A alegação da Turquia de que os refugiados da Síria estão a escolher voltar diretamente ao conflito é perigosa e desonesta. Em vez disso, a nossa investigação mostra que as pessoas estão a ser enganadas ou forçadas a voltar", indicou Anna Shea, investigadora da Amnistia Internacional em direitos dos refugiados e migrantes. 

Embora a AI estime que o número de deportações ao longo dos últimos meses tenha rondado as centenas, a ONG admite ser "difícil" precisar o número já que não existem estatísticas oficiais.

No documento, consta, no entanto, o número das autoridades turcas que dizem que 315 mil pessoas regressaram à Síria de forma voluntária.

Contudo, o documento da ONG dá conta de que muitos foram coagidos ou induzidos em erro ao assinar os chamados documentos de "retorno voluntário" e documenta 20 casos.

Nas situações em causa, a AI dá conta de que cada um envolvia pessoas a serem enviadas para a fronteira em autocarros cheios de dezenas de outros migrantes algemados, que aparentemente também estariam a ser deportados à força.

A organização de defesa de direitos humanos defende, por isso, que "as autoridades turcas devem parar o retorno forçado de pessoas na Síria e garantir que qualquer pessoa que tenha sido deportada possa voltar à Turquia em segurança", diz Anna Shea.

A investigadora da IA considera ainda "arrepiante" o acordo selado esta semana entre a Turquia e a Rússia - que vão patrulhar de forma conjunta as áreas do nordeste do país ao longo da fronteira turca e supervisionar a retirada dos combatentes curdos-sírios da região - já que concorda com o "retorno seguro e voluntário" de migrantes para uma "zona de segurança" que ainda não foi estabelecida.

No início de Outubro, a Turquia lançou uma ofensiva contra a milícia curdo-síria Unidades de Proteção Popular (YPG), que considera terrorista, mas que, no entanto, foi apoiada pelos países ocidentais na luta contra o grupo ‘jihadista’ do autodenominado Estado Islâmico.

Ancara interrompeu a operação na semana passada depois de ter alcançada um acordo com os norte-americanos, que previa a retirada dos YPG junto da fronteira turca, numa faixa de 30 quilómetros de largura e 120 de comprimento.

Já esta semana, a Turquia anunciou que não iria retomar a operação militar na Síria, depois de um acordo alcançado com Moscovo, que prevê que as forças curdas da Síria recuem 30 quilómetros a partir da zona fronteiriça do nordeste da Síria, de forma a partilhar o controlo desta zona.

O acordo entre Ancara e Moscovo prevê ainda um esforço conjunto para facilitar o regresso de refugiados.

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