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GUINÉ-BISSAU

Guiné-Bissau: crise política sobe de tom

Presidente guineense José Mário Vaz na cerimónia de tomada de posse do governo a 31 de Outubro de 2019.
Presidente guineense José Mário Vaz na cerimónia de tomada de posse do governo a 31 de Outubro de 2019. RFI/Charlotte Idrac

Na Guiné-Bissau o primeiro-ministro Aristides Gomes, entretanto exonerado pelo presidente da república, mas que continua em funções e apoiado pela CEDEAO, convocou hoje os representantes da comunidade internacional. Por seu lado o chefe de Estado José Mário Vaz convocou ainda hoje os militares, ele que já em campanha eleitoral, afirmou serem irreversíveis os decretos de exoneração do governo de Aristides Gomes e o da nomeação do executivo de Faustino Imbali.

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Definitivamente as posições estão extremadas entre o Presidente cessante da Guiné-Bissau, José Mário Vaz e a CEDEAO.

O bloco sub-regional voltou a afirmar que Aristides Gomes é o legítimo primeiro-ministro da Guiné-Bissau e que o seu Governo é que vai organizar as eleições presidenciais no próximo dia 24.

José Mário Vaz, no seu primeiro dia de campanha eleitoral no terreno, na localidade de Pitche, no leste da Guiné-Bissau, respondeu ao posicionamento da CEDEAO para dizer que a demissão de Aristides Gomes é irreversível, que está disposto até para morrer se for o caso, mas que a soberania da Guiné-Bissau deve ser respeitada.

José Mário Vaz convocou para esta segunda-feira a reunião do Conselho de defesa e segurança.

Analistas locais admitem que José Mário Vaz pretenderá ordenar aos militares para que obriguem os soldados da ECOMIB a desocuparem os ministérios do Governo, para desta forma permitir que o primeiro-ministro por si nomeado, Faustino Imbali, entre em funções.

José Mário Vaz acusou a CEDEAO de parcialidade e afirmou que enquanto Presidente da Guiné-Bissau não pode admitir que venham pessoas de outros países dar-lhe lições sobre como deve dirigir o seu país.

Em relação às eleições presidenciais, reafirmou a sua candidatura, mas deixou entender que não confia no processo, quando disse e citamos: "Alguns candidatos estão com pressa porque sabem das trafulhices que fizeram na Comissão Nacional de Eleições e no Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral".

A CEDEAO, através da sua representação em Bissau, voltou a anunciar esta segunda-feira que as eleições presidenciais devem ter lugar na data marcada, dia 24, e que os ficheiros eleitorais foram auditados e são confiáveis. 

Confira aqui a correspondência de Mussá Baldé.

A CEDEAO, Comunidade económica dos Estados da África ocidental, reúne-se nesta sexta-feira na capital do Níger para debater a crise política na Guiné-Bissau.

O ministro nigerino dos negócios estrangeiros, Kalla Ankourao, fez neste domingo à noite um balanço dos encontros mantidos na capital guineense desde a véspera.

Contactos contemplando, nomeadamente o presidente José Mário Vaz após a sua decisão em demitir o governo de Aristides Gomes e, posteriormente, em nomear e dar posse ao executivo de Faustino Imbali, decisão contestada pela organização regional (declarações recolhidas por Charlotte Idrac).

"Avistámo-nos com o chefe de Estado que nos deu as razões da sua reacção que se prendem essencialmente com as relações com o executivo.

Nós vincámos que há que fazer prevalecer a legalidade. Há uma cimeira de chefes de Estado dia 8 de Novembro. O chefe de Estado actual [José Mário Vaz] estará em Niamey.

Ele será informado, pois, em primeira mão da decisão final relativamente à decisão que ele tomou."

Entretanto o governo de Faustino Imbali acusou a CEDEAO de ingerência ao se ter avistado com o governo exonerado pelo presidente, na pessoa do chefe de exeutivo destituído, Aristides Gomes.

 

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