Acesso ao principal conteúdo
Convidado

1970: Portugal tentou derrubar Sékou Touré

Áudio 07:23
Sékou Touré no dia da proclamação da independência da Guiné (Conacri) em Outubro de 1958.
Sékou Touré no dia da proclamação da independência da Guiné (Conacri) em Outubro de 1958. Foto: AFP)

Na perpsectiva da comemoração dos 60 anos da independência da Guiné Conacri, no próximo dia 2 de Outubro a RFI ouviu vários testemunhos, entre os quais o do então sargento aviador António Lobato, que falou da operação anfíbia secreta com o nome de código “Mar Verde” em 1970, esta foi a primeira vez que tropas portuguesas invadiram um país africano independente.O objectivo da dita Operação Mar Verde era libertar os prisioneiros portugueses e derrubar o regime de ditadura marxista de Sékou Touré, sendo que os navios lusitanos transportavam membros do futuro governo provisório, constituido por  militares da Frente de Nacional de Libertação da Republica da Guiné, treinados na então Guiné portuguesa.

Publicidade

Apenas 3 pessoas conheciam todos os segredos desta  operação: Marcelo Caetano, então presidente do Conselho de ministros, o então governador da Guiné-Bissau, brigadeiro António Spínola e o comandante do centro de operações especiais  Alpoim Calvão que concebeu e dirigiu esta operação.

A  22 de Novembro de 1970 as forças coloniais portuguesas invadem Conacri com o objectivo de derrubar o regime de Sékou Touré, e o arsenal bélico do PAIGC em Conacri, onde residia designadamente o seu fundador Amilcar Cabral, ausente de Conacri nesse dia tal como o presidente Sékou Touré.

Esta operação secreta, que causou mais de 400 mortos do lado guineense e 3 mortos e 3 feridos graves do lado português, permitiu libertar 26 prisioneiros lusos, detidos durante 7 anos em prisões do PAIGC em Conacri, caso do então sargento aviador António Lobato.

Mas no plano político “Mar Verde” foi um fracasso, condenado pelas Nações Unidas, o que fez com que Marcelo Caetano não tenha assumido as responsabilidades do Estado português nesta operação, até hoje não reconhecida por Portugal, como refere o correspondente da RFI em Conacri Carole Valade.

Um dos objectivos principais da operação era derrubar o regime de Sékou Touré, com vários inimigos na Europa.

António Lobato comentou o suposto envolvimento dos serviços secretos franceses ou alemães na preparação do “Mar Verde”.

O general Spínola, então governador militar da Guiné portuguesa, considerou a operação um “fracasso”, já o comandante Alpoim Calvão, chefe das operações especiais que planificou e dirigiu o ataque considerou-a um “sucesso”.

António Lobato comentou esta discrepância de leituras sobre os resultados do “Mar Verde”.

António Lobato, antigo prisioneiro português solto em Conacri em 1970 no âmbito da operação “Mar Verde”, foi ouvido pelo correspondente da RFI em Conacri, Carole Valade.

Para aprofundar a operação “Mar Verde” e a forma como a antiga potência colonial da Guiné Conacri, a França, tentou desestabilizar o regime de Sékou Touré, bem como a repressão que este veio a exercer sobre a população pode consultar, em francês, uma grande investigação sobre a história da violência político nesse país vizinho da Guiné-Bissau, com arquivos inéditos e entrevistas exclusivas na Internet em savoirs.rfi.fr

A RFI que se implicou também numa obra colectiva de investigação a ser publicada esta terça-feira "Mémoire collective: une Histoire plurielle des violences politiques en Guinée", sobre a repressão política na Guiné Conacri.

Este foi um trabalho coordenado por Isabel Pinto Machado.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Faça o download da aplicação

Página não encontrada

O conteúdo ao qual pretende aceder não existe ou já não está disponível.