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áfrica

Guiné-Bissau: militares prometem manter-se fora da crise política

Tenente general Biague Na N'tan, Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau.
Tenente general Biague Na N'tan, Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau. PNN

O contexto político guineense continua indefinido, depois do Presidente ter exonerado o Governo do primeiro-ministro Aristides Gomes a menos de um mês das eleições presidenciais. Os militares já vieram garantir manter-se à margem da crise política.

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Dois dias depois de o Presidente guineense, José Mário Vaz, ter exonerado o Governo, os militares garantem que as Forças de Defesa e Segurança vão continuar a submeter-se ao poder político e não se vão imiscuir na vida política do país.

Garantia dada, na sequência de uma reunião esta quinta-feira (30./10) entre o Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, general Biague Na N'tan e as Chefias Militares e Paramilitares, para analisar a segurança no país, face a uma situação que continua a ser de indefenição: o Governo demitido continua em funções, a comunidade internacional reconhece Aristides Gomes como primeiro-ministro legítimo e o chefe de Estado deu posse a Faustino Imbali como novo primeiro-ministro.

Este cenário está a provocar apreensão nos guineenses que temem pelo futuro do país, visto que a exoneração do Governo acontece por decreto de um Presidente da República que além de candidato às eleições presidenciais que têm lugar a 24 de novembro, terminou o seu mandato a 23 de Junho e tem desde então prerrogativas reduzidas.

Como justificação, o Presidente guineense sublinhou que a situação se "enquadra numa grave crise política e que está em causa o normal funcionamento das instituições da República, em conformidade com o estatuído no número 2 do artigo 104 da Constituição da República".

Apesar da aparente calma, a situação é, contudo, tensa sobretudo em Bissau, onde é visível o reforço da segurança por soldados da missão da ECOMIB em alguns edifícios chave da administração do Estado.

Já nos bastidores das sedes partidárias, continuam as tomadas de posições perante a crise politica: uns apoiam o Governo do primeiro-ministro Aristides Gomes, outros alinham-se com o primeiro-ministro indigitado Faustino Imbali.

Na sede de Governo, no bairro de Brá, no entanto, permanece Aristides Gomes, enquanto Faustino Imbali, ao que a RFI apurou, vai trabalhando entre as sedes dos partidos PRS e MADEM com vista à formação do seu elenco governamental.

O general prometeu ainda continuar a promover a paz e estabilidade e garantir segurança a todos os guineenses.

 Na terça-feira, Faustino Imbali, de 63 anos, tomou posse perante o Presidente José Mário Vaz, as chefias militares e sem a presença habitual do corpo diplomático.

No discurso, o novo chefe de Governo prometeu trabalhar na organização das eleições presidenciais do próximo mês, tal como já tem vindo a ser prometido por Aristides Gomes e recomendado pela comunidade internacional.

 

Um conjunto de instituições vieram já manifestar preocupação pela crise política no país. O caso do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, que afirmou estar a seguir “com séria preocupação” os desenvolvimentos políticos na Guiné-Bissau, mostrando-se expectante numa eleição presidencial “pacífica, credível e transparente”.

Já a presidência cabo-verdiana da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) veio apelar às instituições do Estado, aos partidos políticos e à população da guineense para que “mantenham a calma", para que não prejudiquem de alguma forma as eleições presidencais.

Do lado da União Africana, o presidente da comissão Moussa Faki Mahamat expressou "total apoio" à CEDEAO, que, na terça-feira, considerou ilegal a demissão do primeiro-ministro Aristides Gomes.

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