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Ingerência russa nas eleições em Moçambique?

Áudio 06:26
Urna de votação nas últimas eleições gerais de Moçambique
Urna de votação nas últimas eleições gerais de Moçambique RFI/Cristiana Soares

Terá a Rússia interferido nas últimas eleições em Moçambique? Vários órgãos de comunicação, moçambicanos e internacionais, escreveram sobre uma possível ingerência russa nas eleições gerais de 15 de Outubro, ganhas pela Frelimo e contestadas pela oposição e sociedade civil.

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Para o jornalista e director da publicação moçambicana Savana, Fernando Lima, a sondagem publicada pelo centro Internacional Anticrise, no fim da campanha, com resultados favoráveis à Frelimo "lançou a suspeita".

O Centro Internacional Anticrise, de acordo com o site Afrique Intelligence, é um tkink-tank russo, ligado à máquina de propaganda e ao oligarca russo, Yevgeny Prigozhin, próximo do chefe de Estado Vladimir Putin.

Questionado sobre a publicação da sondagem - do Centro Internacional Anticrise- e sobre a possível interferência russa nas eleições de Moçambique, Caifadine Manasse, porta-voz da Frelimo, desmente "qualquer ligação entre o partido no poder e a Rússia".

Outro factor que semeou dúvidas sobre a possível interferência russa no processo eleitoral moçambicano foi a presença da ong AFRIC numa missão de observadores eleitorais.A AFRIC, uma ong com financiamento russo e muito activa nas eleições no continente africano, enviou para Moçambique 60 observadores eleitorais, sem que ninguém tivesse percebido muito bem o trabalho dos observadores no terreno.

Segundo o director do jornal moçambicano a "Carta", Marcelo Mosse, um antigo colaborador da AFRIC contactou a publicação para "denunciar que a organização teria interferido no processo eleitoral".

O presidente da AFRIC, o moçambicano José Matemulane, distancia-se das acusações, porém admite que a ONG "tem financiamento do empresário russo Alexander Seravinn".

Coincidência ou não, a rede facebook desmantelou, no início do mês, uma campanha de desinformação em vários países africanos e que era feita a partir da Rússia. A rede social avançou que as contas e páginas estavam ligadas “a várias entidades associadas“ a um próximo do presidente russo, Evguéni Prigojine.

O jornalista e director do Savana, Fernando Lima, refere que entre as contas encerradas várias estavam ligadas a Moçambique e que "foram criadas para manipular opiniões".

Moçambique e a Rússia têm nos útimos tempos reforçado a cooperação bilateral ao nível da exploração de recursos naturais e da defesa e segurança. O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, visitou Moscovo em Agosto e marcou presença na primeira cimeira Rússia/África, em Sotchi, no passado mês de Outibro, depois de Moscovo ter perdoado 95% da dívida moçambicana.

A imprensa moçambicana avança igualmente que militares do grupo Wagner, ligado ao oligarca Evguéni Prigojine, estariam em Cabo Delgado, norte do país, para colaboram com as Forças de Defesa e Segurança no combate aos insurgentes.

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