Acesso ao principal conteúdo
Moçambique

Renamo pede demissão do Presidente de Moçambique

Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi. Cidade da Beira, 27 de Março de 2019.
Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi. Cidade da Beira, 27 de Março de 2019. Yasuyoshi CHIBA / AFP

Depois do MDM, agora é a Renamo que pede a demissão do Presidente de Moçambique na sequência das revelações que implicam Filipe Nyusi e a Frelimo no caso das dívidas ocultas. A Frelimo diz que o chefe de Estado “não tem nada a ver” com o processo.

Publicidade

Esta sexta-feira, a Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, pediu que o Presidente Filipe Nyusi coloque o seu lugar à disposição, depois das revelações feitas quarta-feira, em tribunal, em Nova Iorque.

Ontem, o MDM, terceiro partido parlamentar, também pediu que Filipe Nyusi coloque o lugar à disposição no prazo de 72 horas e que a Frelimo, partido no poder, explique o seu papel no caso das dívidas ocultas.

Em conferência de imprensa, na sede nacional do partido, em Maputo, José Manteigas, porta-voz da Renamo, disse que a formação pede a demissão “imediatamente” de Filipe Nyusi porque o seu envolvimento no processo "põe em causa a reputação, idoneidade, confiança e legitimidade para continuar a conduzir os destinos do país" e ele não tem "condições morais para propalar discursos de combate à corrupção" ou de respeito pela legalidade.

A Renamo pediu, ainda, que a Procuradoria-Geral da República accione os mecanismos legais para o "apuramento da verdade" para responsabilização civil e criminal dos envolvidos nas dívidas ocultas.

 

As revelações 

Na quarta-feira, Jean Boustani, o principal arguido no caso das dívidas ocultas, em julgamento nos Estados Unidos, afirmou que a empresa Privinvest pagou cinco milhões de dólares para a campanha presidencial de Filipe Nyusi de 2014 (um milhão para a campanha própria e quatro milhões para a Frelimo), a pedido do antigo Presidente Armando Guebuza.

Numa sessão anterior do julgamento, a acusação norte-americana também revelou registos bancários de uma transferência de 10 milhões de dólares de uma subsidiária da Privinvest, para a Frelimo, em quatro tranches, em 2014.

 

Frelimo responde que Filipe Nyusi “não tem nada a ver” com as dívidas ocultas

Esta quinta-feira, Caifadine Manasse, secretário do Comité Central da Frelimo para a Comunicação e Imagem, disse que Filipe Nyusi “não tem nada a ver com a questão das dívidas” e que "continua calmo e segue os acontecimentos".

Sobre o facto de a Frelimo ser citada, Caifadine Manasse argumentou que o partido está "a seguir o julgamento".

O porta-voz do partido no poder desvalorizou, ainda, as exigências de demissão do Presidente da República feitas pelos partidos da oposição e apelou à calma aos moçambicanos.
 

O estaleiro naval Privinvest é acusado de subornar governantes, políticos e banqueiros para levarem avante os projectos das empresas marítimas moçambicanas Ematum, MAM e Proindicus, as quais, entre 2013 e 2016, assumiram dívidas ocultas de 2,2 mil milhões de dólares com avales do Estado.

 

Oiça aqui a reportagem de Orfeu Lisboa, correspondente em Maputo.

selfpromo.newsletter.titleselfpromo.newsletter.text

selfpromo.app.text

Página não encontrada

O conteúdo ao qual pretende aceder não existe ou já não está disponível.