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Moçambique / Estados Unidos

Dívida oculta moçambicana: Boustani considerado inocente

O empresário franco-libanês Jean Boustani que era suspeito de envolvimento no escândalo da "dívida oculta" de Moçambique, foi considerado inocente no final do seu julgamento nos Estados Unidos, neste dia 2 de Dezembro de 2019.
O empresário franco-libanês Jean Boustani que era suspeito de envolvimento no escândalo da "dívida oculta" de Moçambique, foi considerado inocente no final do seu julgamento nos Estados Unidos, neste dia 2 de Dezembro de 2019. Flickr/Jenifer Corrêa

O empresário franco-libanês Jean Boustani, julgado no Tribunal de Brooklyn em Nova Iorque, pelo seu alegado envolvimento no escândalo da "dívida oculta" de Moçambique, foi hoje declarado inocente pelo júri norte-americano.

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Negociador da Privinvest, empresa que fornecia navios e serviços às empresas públicas moçambicanas Ematum, MAM e Proindicus, Jean Boustani era acusado de ser um dos principais arquitectos da dívida de 2,2 mil milhões de dólares contraída em nome dessas entidades, à revelia do parlamento, durante o mandato do Presidente Armando Guebuza, no período 2013-2014.

Nos Estados Unidos, Jean Boustani, era acusado de 3 crimes: conspiração para lavagem de dinheiro, fraude electrónica e fraude de valores mobiliários através de transferências que teriam passado pelo território americano, crimes de que o interessado se declarou inocente durante o seu julgamento.

Detido na República Dominicana e em seguida extraditado para os Estados Unidos onde se encontrava preso preventivamente desde o passado 2 de Janeiro, Jean Boustani estava a ser julgado desde meados de Outubro.

No âmbito do seu julgamento, entre outras revelações, Jean Boustani declarou que mantinha contactos de negócios havia largos anos com o antigo Presidente Armando Guebuza e com o filho, Ndambi Guebuza, e que estes últimos tinham recebido dezenas de milhões de Euros da Privinvest. O empresário franco-libanês também confessou ter ordenado a transferência de 4,5 milhões de Euros para o antigo ministro moçambicano das finanças, Manuel Chang, actualmente detido na África do Sul no quadro deste mesmo caso.

Durante estes últimos dias, o responsável da Privinvest também indicou ter mandatado o pagamento de um milhão de Dólares ao actual Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, assim como 4 milhões para o comité central do partido no poder, sendo que de acordo com a acusação, um valor superior teria sido transferido -10 milhões de Dólares- para os cofres da Frelimo.

Para a sua defesa, os advogados de Jean Boustani alegaram que estas transferências eram "investimentos e incentivos" da Privinvest em Moçambique.

Ao cabo de um mês e meio de julgamento, depois de retomarem esta manhã as suas deliberações, os membros do júri decidiram por unanimidade declarar Jean Boustani inocente dos três crimes de que era acusado, o juiz William Kuntz II declarando em seguida que o réu estava "exonerado". Um veredicto que não deixou de surpreender Borges Nhamire, investigador do CIP, Centro de Integridade Pública de Moçambique, que esteve em Nova Iorque a acompanhar este processo.

De referir que na sequência das revelações que surgiram durante o julgamento de Jean Boustani, os partidos de oposição em Moçambique, MDM e Renamo, reclamaram a demissão do actual Presidente da República. Ainda na semana passada, a bancada parlamentar da Renamo exigiu que o Presidente da República preste esclarecimentos aos deputados moçambicanos sobre este caso.

Para além do antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, detido na África do Sul, várias outras figuras são suspeitas de envolvimento no escândalo da "dívida oculta". Só em Moçambique, cerca de 20 pessoas se encontram detidas em regime de prisão provisória, nomeadamente Ndambi Guebuza, filho do antigo Presidente da República, assim como antigos altos dirigentes dos serviços secretos moçambicanos, nomeadamente o ex-director do SISE António Carlos do Rosário.

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