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Moçambique / Estados Unidos

Reacções em Moçambique ao veredicto do julgamento de Boustani

Dívidas Oculta
Dívidas Oculta RFI

Partidos políticos da oposição e organizações da sociedade civil reagiram à absolvição ontem nos Estados Unidos do empresário franco-libanês Jean Boustani, negociador da empresa Privinvest, que era suspeito de ser um dos principais protagonistas do escândalo da "dívida oculta" de mais de 2 mil milhões de Dólares contraída à revelia do parlamento durante o mandato do antigo Presidente Guebuza.

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Acusado nos Estados Unidos de conspiração para lavagem de dinheiro, fraude electrónica e fraude de valores mobiliários através de transferências que teriam passado pelo território americano, o empresário de 41 anos acabou por ser ilibado ontem pelo júri, um desfecho que segundo a oposição e organizações não-governamentais não deveria ter consequências sobre a acção da justiça moçambicana no âmbito do caso da "dívida oculta".

Para Baltazar Fael, pesquisador do Centro de Integridade Pública, a decisão de inocentar o negociador da empresa Privinvest dos crimes contra os Estados Unidos não tira o mérito da acusação do Ministério Público. "Moçambique, neste momento, tem o ónus de julgar aqueles que são os seus servidores públicos e seus titulares de cargos públicos, porque Boustani não teve culpa e quem é culpado são as nossas autoridades", considerou o investigador do CIP.

Reagindo igualmente à decisão da justiça americana, José Manteigas, porta-voz da Renamo na oposição, declarou que o seu partido "sempre disse que era imperioso que os órgãos de administração da justiça moçambicana actuassem de modo a responsabilizar civil e criminalmente todos os envolvidos neste calote". No mesmo sentido, Salomão Muchanga, presidente da Nova Democracia, partido sem assento parlamentar, considerou que "isto mostra claramente que este julgamento não pensou nos moçambicanos".

A Frelimo partido no poder, citado em julgamento em nova Iorque como tendo recebido 10 milhões de Dólares em subornos oferecidos pela Privinvest, prometeu reagir a qualquer momento sobre a absolvição de Jean Boustani. Mais pormenores com Orfeu Lisboa.

De referir que entre as figuras apontadas no seu julgamento como tendo recebido subornos por parte da Privinvest, Jean Boustani citou nomeadamente os nomes de Ndambi Guebuza, filho do antigo Presidente da República, do antigo titular do pelouro das finanças, Manuel Chang, actualmente detido na África do Sul, ou ainda do actual Presidente República, Filipe Nyusi, cuja demissão foi reclamada pela oposição depois destas revelações.

Neste momento, só em Moçambique, cerca de 20 pessoas estão detidas em regime de prisão provisória, designadamente Ndambi Guebuza, ou ainda o antigo director dos serviços secretos moçambicanos, António Carlos do Rosário.

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