Acesso ao principal conteúdo
Moçambique

Morreu Marcelino dos Santos, um dos fundadores da FRELIMO

Marcelino dos Santos, um dos fundadores e maiores impulsionadores da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), partido no poder há mais de 40 anos
Marcelino dos Santos, um dos fundadores e maiores impulsionadores da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), partido no poder há mais de 40 anos Dutch National Archives

Marcelino dos Santos, membro fundador da Frente de Libertação de Moçambique, onde chegou a vice-presidente, morreu esta terça-feira aos 90 anos. "Não esperámos que acontecesse o que hoje aconteceu para o declararmos nosso herói", disse o Presidente da República.

Publicidade

Marcelino dos Santos, um dos fundadores da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), faleceu esta terça-feira aos 90 anos, vítima de doença prolongada. 

O político viveu de forma tão intensa a causa nacionalista e à Frente de Libertação de Moçambique,  movimento criado em 1962, que chegou a afirmar: "Não sou da Frelimo, sou a Frelimo".

Antes da Frelimo, contudo, Marcelino dos Santos já tinha mostrado um forte interesse pela causa da independência de Moçambique. Durante a sua estadia pela capital portuguesa, Lisboa, entre 1948 e 1951 destacou-se, na Casa dos Estudantes do Império e no Centro de Estudos Africanos, como militante anticolonialista.

No entanto, face à perseguição movida pela PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), teve que abandonar Portugal e mudou-se para Paris, onde estreitou a relação com o nacionalista angolano Mário Pinto de Andrade.

Os dois estabeleceram vínculos de amizade e camaradagem com quase todos os dirigentes dos movimentos que conduziram as antigas colónias francesas de África à independência.

Marcelino dos Santos foi também uma destacada figura na política de Moçambique no pós-independência, alcançada em 1975, com um papel preponderante na construção do Estado.

Marcelino dos Santos, um dos símbolos do nacionalismo africano, foi Ministro da Planificação e Desenvolvimento, cargo que deixou em 1977 com a constituição do primeiro parlamento do país, nessa altura designado por “Assembleia Popular”, do qual foi presidente até à realização das primeiras eleições multipartidárias do país, em 1994.

Nos últimos anos, Marcelino dos Santos, pouco era visto publicamente, dado os estado de saúde débil, que acabou por calar a voz do combatente, político, poeta e revolucionário.

O anúncio da morte partiu do chefe de Estado,Filipe Nyusi, no final de um comício em Pemba, província de Cabo Delgado em que disse: "Perdemos o nosso ícone, o camarada Marcelino dos Santos”, ao acrescentar que se irão "organizar, como Governo, porque ele já foi proclamado herói nacional. Não esperámos que acontecesse o que hoje aconteceu para o declararmos nosso herói”, concluiu.

Orfeu Lisboa, correspondente em Moçambique

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI

Página não encontrada

O conteúdo ao qual pretende aceder não existe ou já não está disponível.