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Moçambique

Dívidas Ocultas: Chissano confiante na justiça

O ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Joaquim Veríssimo (esquerda) e o ex-Presidente da República de Moçambique, Joaquim Chissano (direita). Sé Catedral de Maputo, 03 de Março de 2019.
O ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Joaquim Veríssimo (esquerda) e o ex-Presidente da República de Moçambique, Joaquim Chissano (direita). Sé Catedral de Maputo, 03 de Março de 2019. ANTÓNIO SILVA/LUSA

O antigo Presidente moçambicano, Joaquim Chissano, reagiu, este domingo, à detenção de nove moçambicanos no âmbito do caso das dívidas ocultas e considerou que as autoridades policiais e a justiça estão a fazer o seu trabalho.

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O antigo chefe de Estado moçambicano reagiu, este domingo, às detenções de nove pessoas em Moçambique, alegadamente ligadas às dívidas ocultas, num processo conduzido pela Procuradoria-Geral da República.

Posso dizer que, pura e simplesmente, as autoridades policiais estão a fazer o seu trabalho. Como ouvimos hoje, aqui, na nossa igreja, não julgueis para não seres julgados. Deixemos àqueles que têm o mérito para julgar”, declarou Joaquim Chissano.

As declarações do antigo Presidente foram feitas à saída de uma missa de apresentação do novo bispo auxiliar da arquidiocese de Maputo, António Juliasse, na Sé Catedral de Maputo.

A cerimónia de apresentação de António Juliasse contou com a presença de vários líderes religiosos e autoridades políticas de Moçambique. António Juliasse, de 50 anos, foi nomeado bispo auxiliar de Maputo pelo papa Francisco, a 7 de Dezembro, e vai ser o número dois da maior arquidiocese da Igreja Católica em Moçambique, coadjuvando o arcebispo Francisco Chimoio.

O papa Francisco deverá realizar uma visita a Moçambique ainda este ano, numa altura em que os ataques armados em Cabo Delgado continuam a semear o luto, o medo e o terror entre a população e a provocar deslocados.

Ele está atento ao que se passa no nosso país, com vários problemas que nós temos mas, sobretudo, esses ataques no norte devem-lhe ter tocado muito. É claro que também é mérito daqueles que o convidaram, o nosso Presidente”, afirmou.

A última vez que um papa [João Paulo II] visitou Moçambique foi em 1988.

Desde Outubro de 2017 têm sido noticiados vários ataques na província de Cabo Delgado, alegadamente praticados por um movimento insurgente de matriz islâmica. A onda de violência eclodiu após um ataque armado a postos de polícia da vila de Mocímboa da Praia por um grupo com origem numa mesquita local que pregava a insurgência contra o Estado.

Oiça aqui a reportagem de Orfeu Lisboa, correspondente em Maputo.

Os detidos no âmbito das “Dívidas Ocultas”

Em Fevereiro, o Tribunal Judicial de Maputo decretou a prisão preventiva de oito dos nove detidos no âmbito da investigação às dívidas ocultas do Estado: António do Rosário, administrador-delegado das três empresas públicas no centro do escândalo (Ematum, Proindicus e MAM); Gregório Leão, ex-director do Serviço de Informação e Segurança do Estado; Bruno Tandade, operativo desse serviço de informações; Inês Moiane, secretária pessoal do ex-Presidente Armando Guebuza; Teófilo Nhangumele, alegado promotor junto de Moçambique da ideia de criar as empresas e contratar o financiamento; Ndambi Guebuza, filho do ex-Presidente moçambicano Armando Guebuza; Sérgio Namburete e Sidónio Sitoe.

Elias Moaine, sobrinho de Inês Moiane, ficou em liberdade sob fiança mediante uma caução de um milhão de meticais (cerca de 14 mil euros).

As detenções aconteceram depois de a justiça norte-americana ter mandado prender Manuel Chang, antigo ministro das Finanças de Moçambique, que aguarda a decisão sobre a extradição para os Estados Unidos ou para Moçambique. Os Estados Unidos alegam que as três empresas públicas moçambicanas de pesca e segurança marítima serviram para um esquema de corrupção e branqueamento de capitais com vista ao enriquecimento de vários suspeitos, passando por contas bancárias norte-americanas.

A Ematum, a Proindicus e a MAM teriam contraído dívidas de quase dois mil milhões de dólares, com garantias de Estado, mas sem o aval do Parlamento, durante o segundo e último mandato de Armando Guebuza na Presidência da República.

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