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Moçambique

Beira ameaçada por proliferação de doenças

Pessoas reunidas e telhado de uma casa submersa por inundações, em Buzi.
Pessoas reunidas e telhado de uma casa submersa por inundações, em Buzi. ADRIEN BARBIER / AFP

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) está preocupada com os riscos de proliferação de doenças transmitidas pela água e respiratórias, numa avaliação feita no terreno pela equipa de emergência na cidade da Beira.

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Idai "poderá vir a ser ser o assassino mais mortífero da África Austral" até hoje, aponta a organização Care. "Estamos a falar de um grande desastre", disse o porta-voz da Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Jens Laerke, em Genebra.

Moçambique é um dos países mais pobres do mundo, já tinha sido atingido por inundações mortíferas em Fevereiro e Março de 2000. Desastre que vitimou mortalmente 800 pessoas e pelo menos 50.000 desalojados, afectou cerca de dois milhões de pessoas.

Segundo o ministro moçambicano do Meio Ambiente, Celson Correia, no centro do país, a superfície de 100 km de raio está completamente inundada. Quase 350.000 pessoas encontram-se presas em áreas inundadas. Há quem descreve um "oceano" na terra, isolando completamente as aldeias.

Esperam-se chuvas abundantes

A situação não deve melhorar, já que chuvas fortes são esperadas nos próximos dias, alertou o Programa Mundial de Alimentos (PMA), que começou a ajudar mais de meio milhão de pessoas. Para complicar a situação, várias barragens ameaçam ceder a Moçambique.

O Presidente Filipe Nyusi pediu aos concidadãos que moram perto dos rios que "deixem a área para salvar as suas vidas". As autoridades não têm outra escolha senão o escoamento de água.

Tanto em Moçambique como no Zimbabué, muitas pontes e estradas foram levadas por fortes correntes de água, complicando as operações de socorro e as necessidades de avaliação.

Com ajuda de barcos e helicópteros pneumáticos, as equipas humanitárias continuam a resgatar pessoas desalojadas e em risco que se encontram agarradas a árvores e telhados de casas.

"Nas árvores, as pessoas têm que lutar com cobras, insectos, animais", disse à AFP Ian Scher, presidente da Rescue SA, da África do Sul, que está envolvida nos esforços de socorro na cidade da Beira.

Os helicópteros não são suficientes. "Nós salvamos quem pudermos e os outros vão morrer", alertou Ian Scher, "temos que tomar decisões difíceis".

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) está preocupada com os riscos de proliferação de doenças transmitidas pela água e respiratórias numa avaliação no terreno da equipa de emergência na cidade da Beira.

A advogada na MSF Claúdia Aguir descreve a falta de acesso a água potável e as dificuldades de acesso a hospitais e centros de saúde.

"Arrastados pelas águas"

"Ficamos presos no telhado desde sexta-feira, foi terrível", disse à AFP uma mãe de 20 anos com seus dois filhos. "O meu marido, o resto da família ainda está lá, não foi possível salvá-los", acrescentou.

"A água chegou de repente, como um tsunami, e destruiu quase tudo", disse outro sobrevivente, José Batio, entrevistado pela AFP numa estrada a cerca de 60 quilómetros da Beira. "Nós sobrevivemos, mas muitos dos nossos vizinhos foram levados embora", afirma o sobrevivente.

A cidade da Beira conta com meio milhão de habitantes, continua sem electricidade, água corrente e internet há mais de uma semana.

A sala de cirurgia e vários departamentos do hospital da cidade foram gravemente danificados. Todos os 17 centros de saúde da Beira estão destruídos, de acordo com a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

As vítimas reclamaram da falta de meios; "pedimos 10 helicópteros, mas só recebemos um, e ele tem um problema", disse um habitante, Innocent Chidambazina, à AFP.

A Amnistia Internacional pediu à comunidade internacional que se mobilize para fazer enfrentar o desastre e para enfrentar as consequências da mudança climática.

"À medida que os efeitos das alterações climáticas se intensificam, podemos esperar que condições climáticas extremas, como estas, aconteçam com mais frequência", alertou a Amnistia Internacional, pedindo "medidas ambiciosas para combater a mudança climática".

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