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Moçambique

Moçambique: Desviar ajuda "é um crime público"

Crianças brincam num coqueiro partido pelos ventos do ciclone Idai na Beira, Moçambique, 27 de Março de 2019.
Crianças brincam num coqueiro partido pelos ventos do ciclone Idai na Beira, Moçambique, 27 de Março de 2019. Yasuyoshi CHIBA / AFP

Autoridades moçambicanas prometem reforçar a fiscalização e aplicar punições exemplares. Parlamento de Moçambique aprovou esta semana a criação de um grupo de trabalho para avaliar a transparência na assistência às vítimas do ciclone.

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Pelo menos três pessoas estão detidas na cidade da Beira por implicadas no desvio da ajuda humanitária para as vítimas do ciclone IDAI, anunciou com preocupação a Procuradoria-Geral da República.

"Estamos preocupados com desvios de donativos na província de Sofala. Como Ministério Público nós entendemos que é um crime público e o ofendido é o Estado. Não interessa quem esteja a doar esses bens", afirmou Joaquim Tomo. O porta-voz da Procuradoria provincial de Sofala anunciou ainda a abertura de uma linha verde grátis com o número 1407 para denúncias. "Não queremos que haja impunidade. A ideia de que as pessoas possam desviar esses bens sem que respondam", acrescentou.

"O deficiente é excluído em todas as vertentes" denúncia a Associação dos Cedos e Amblíopes de Moçambique que também se fez ouvir e apresentou queixas da exclusão dos seus membros na canalização da ajuda humanitária.

A Associação dos Cegos e Amblíopes de Moçambique na província de Sofala, através do seu presidente Alberto Campunze exige a inclusão e transparência na distribuição da ajuda aos afectados pelo ciclone IDAI como nos relata o nosso correspondente em Maputo, Orfeu Lisboa.

As autoridades moçambicanas registavam esta quinta-feira 353 novos casos de cólera no centro do país, elevando para 2.094 o registo de pessoas que já foram infectadas no surto que se seguiu ao ciclone Idai. A percentagem de doentes curados é de 94%, havendo a registar duas mortes.

A União Europeia desembolsou um milhão de euros para o apoio às despesas logísticas da assistência humanitária às vítimas do ciclone Idai no centro de Moçambique, anunciou o Programa Alimentar Mundial.

Em declarações à agência de notícias portuguesa lusa, o arcebispo da Beira, Claudio Dalla Zuanna, afirmou que o ciclone Idai foi um acontecimento devastador, mas que pode dar lugar a um renascimento do centro de Moçambique. "É preciso ajudar a população a melhorar a qualidade das habitações, construindo estruturas mais seguras", justificou o arcebispo da Beira.

"Construir tendo presente a experiência de outros países que passam por estas calamidades naturais", disse, reclamando a aposta numa "reconstrução inteligente", por oposição às construções precárias habituais.

O Papa Francisco vai visitar Moçambique em Setembro, uma deslocação que pode ajudar o mundo a não se esquecer do país, depois da passagem do ciclone Idai, que matou pelo menos 598 pessoas e devastou o centro do país. O arcebispo da Beira, Claudio Dalla Zuanna, relativiza qualquer leitura política desta visita por coincidir com a campanha eleitoral, antes das eleições gerais de 15 de Outubro.

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