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Moçambique

Moçambique: Processo eleitoral controverso

Contagem de votos das sextas eleições gerais em Moçambique
Contagem de votos das sextas eleições gerais em Moçambique RFI/Cristiana Soares

Representantes da sociedade civil denunciaram uma série de irregularidades “graves” durante o processo de votação e contagem dos boletins de voto. A polícia moçambicana afirma que processo decorreu de forma "pacífica".

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Um dia depois de os moçambicanos terem ido às urnas, a polícia apresentou o balanço do processo. O porta-voz do Comando Geral da Polícia, Orlando Mudumane, afirmou que apesar da detenção de 73 indivíduos, por perturbação das assembleias de voto, o processo decorreu de forma pacífica.

“No cômputo geral o processo de votação decorreu num ambiente ordeiro e pacífico em todo o país, não obstante o registo de vinte e dois ilícitos eleitorais nalgumas assembleias de voto. Em conexão com os ilícitos registados foram detidos 73 indivíduos, na sua maioria, por perturbação das assembleias de voto. Esses indivíduos serão responsabilizados nos termos da lei. As províncias de Gaza e Nampula registaram o maior número de detidos, 24 e 23 respectivamente”, referiu.

Irregularidades na votação

Ao longo desta quarta-feira os grupos de observação eleitoral moçambicana foram dando conta das irregularidades ocorridas durante o processo de votação e contagem dos boletins de voto.

O Centro de Integridade Pública já tinha anunciado, ontem à noite, a morte de uma pessoa que foi baleada pela polícia no distrito de Nacala-Porto, no distrito de Nampula. Segundo informações da organização da sociedade civil moçambicana, o incidente ocorreu durante a contagem dos votos na Escola Secundária São Vicente de Paulo, bairro de Ontupaia.

Esta manhã, Dom Carlos Matsinhe que é o representante do Comité Ecuménico para o Desenvolvimento Social, organização que integra a Plataforma de Transparência Eleitoral, denunciou uma série de irregularidades “graves” durante o processo de votação e contagem dos boletins de voto.

“Em Angoche um eleitor foi encontrado com boletins de voto preenchidos a favor do partido Frelimo. Os membros da mesa de votação que não verificavam os nomes, nem os dedos com tinta indelével, portanto havia algumas falhas no processo. Houve casos reportados de eleitores que foram vistos a votar em mais do que uma mesa de voto. Eleitores que ao chegar às mesas de voto encontraram os seus nomes já riscados. Houve também casos em que os eleitores chegaram depois da hora de encerramento e puderam votar (...), disse.

O representante do Comité Ecuménico para o Desenvolvimento Social falou ainda da cidade da Beira, onde um secretário da mesa foi acusado, pelos delegados, de ter introduzido boletins nas urnas.

Adriano Nuvunga, director do Centro para a Democracia e Desenvolvimento de Moçambique denunciou igualmente casos de “enchimento de urnas”.

“Em algumas mesas houve situações claras de preenchimento de urnas, pois havia discrepância entre o número de votos na urna e o número de votantes. Tivemos também situações reportadas de detenção de delegados de candidatura. Na cidade de Maputo vontades puderam votar sem que os seus nomes constassem nos cadernos eleitorais. A província de Gaza a afluência não foi muito elevada, considerando o recenseamento”, salientou.

Adriano Novunga apontou o dedo à CNE por não publicar os resultados intermédios, que “são de lei e de interesse público”.

As sextas eleições gerais vão eleger o novo chefe de Estado, 250 deputados do parlamento, 10 governadores provinciais e as respectivas assembleias.

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