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Brasil/Irã

Brasil pode ter que renunciar a projeto de venda de etanol para o Irã

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, recebeu o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, recebeu o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Marcello Casal Jr./ABr

Sanções unilaterais americanas, em tramitação no Congresso, podem levar Estados Unidos a boicotar empresas brasileiras que ajudarem o Irã. País terá que decidir entre exportar para americanos ou iranianos.

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O Brasil, que votou contra as novas sanções impostas pela ONU ao Irã, agora tenta administrar os acordos comerciais com o governo iraniano. Em entrevista à imprensa brasileira, funcionários da Casa Branca disseram que os Estados Unidos iriam desencorajar os brasileiros a vender etanol para suprir as necessidades iranianas de combustível, mas na última visita a Teerã, em maio deste ano, o ministro do desenvolvimento, Miguel Jorge, falou da possibilidade de exportar o combustível para o Irã. O país islâmico é um dos maiores produtores de petróleo bruto. As sanções impostas pela comunidade internacional, entretanto, podem prejudicar o refinamento do produto no Irã.

Mas além das sanções da ONU, que o Brasil, mesmo tendo votado contra, é obrigado a aplicar, outras medidas devem ser aplicadas de forma unilateral pelos Estados Unidos. O projeto de novas sanções contra o Irã está em tramitação no Congresso Americano e deverá ser assinado nas próximas semanas pelo presidente Barack Obama. O diretor do Instituto americano de Análises de Segurança Global, Gal Luft, explica, de Washington, as possíveis consequências das futuras sanções americanas para as empresas brasileiras.

"Existem dois tipos de sanções: as determinadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e as sanções que serão aplicadas pelos Estados Unidos. São essas sanções que, uma vez aplicadas, proibirão a exportação de combustível refinado ao Irã. E isso pode provocar grandes consequências para as empresas brasileiras. O Brasil, claro, só é obrigado a seguir as sanções aprovadas pela ONU. Porém os Estados Unidos podem parar de negociar com as empresas brasileiras que ajudam o Irã. Assim, essas companhias teriam que decidir entre exportar para o Irã ou para os EUA".

Para o especialista americano, a possível exportação de etanol para o Irã é uma forma de pressionar os Estados Unidos a retirar as sobretaxas impostas ao produto brasileiro. Dessa forma, o Brasil, em vez de fazer negócios com o Irã, poderia exportar grande parte de sua produção para os Estados Unidos. "É essa a decisão que espero que o Congresso americano possa tomar.  Abrir o mercado do país ao etanol brasileiro. Não existe razão para os Estados Unidos sobretaxar o combustível que vem do Brasil e não o que vem da Venezuela". Segundo o diretor, se os Estados Unidos querem a cooperação do Brasil nas questões com o Irã, é preciso acabar com as sobretaxas que estão previstas até 2011.

João Alencar, em colaboração para a RFI

 

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