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Itália/Senegal

Governo do Senegal pede esclarecimentos sobre assassinatos em Florença

Senegaleses que vivem na Itália protestam após assassinato de dois vendedores ambulantes em Florença nesta terça-feira.
Senegaleses que vivem na Itália protestam após assassinato de dois vendedores ambulantes em Florença nesta terça-feira. REUTERS

O governo do Senegal se declarou hoje indignado com o "assassinato odioso" de dois vendedores ambulantes senegaleses em Florença, na Itália. O crime foi cometido nesta terça-feira por um militante da organização de extrema-direita Casa Pound.

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"O governo do Senegal exprime sua indignação após o assassinato odioso perpetrado por dois de nossos compatriotas vivendo na Itália", disse em um comunidado o porta-voz do governo e ministro da Comunicação, Moustapha Guirassy. Ele afirmou ainda que seu governo fará todos os esforços necessários para esclarecer esse caso.

Gianluca Casseri, um morador de Florença, matou a tiros nesta terça-feira, em um mercado da periferia norte da cidade, dois vendedores ambulantes senegaleses. Um terceiro foi levado ao hospital em estado grave e deve permanecer paralisado pelo resto da vida, segundo um porta-voz da polícia italiana.

De acordo com testemunhas do crime, Casseri se suicidou depois de ter ferido a tiros outras duas pessoas no centro de Florença. Ele era membro de Casa Pound, uma organização de extrema-direita que condenou com firmeza o crime.

O presidente da Casa Pound, Gianluca Iannone, enviou ao embaixador do Senegal em Roma um carta exprimindo sua "condenação total e incondicional do gesto louco que cobriu Florença de sangue".

Os líderes italianos foram unânimes ao condenar "a loucura racista e xenófoba" de um ato qualificado de "gesto isolado" pelo prefeito de Florença, Matteo Renzi, um político em ascensão na esquerda italiana. "Florença não é uma cidade racista, mas vítima do racismo", disse ele. O presidente da República, Giorgio Napolitano, condenou um "assassinato bárbaro".

Racismo

Para o Alto Comissariado para os Refugiados da ONU, esse massacre "coloca em evidência o clima de racismo e de xenofobia crescentes que emergiu nos últimos anos na Itália e em outros países europeus, um perigo que é frequentemente subestimado".

O representante da comunidade senegalesa de Florença, Pape Diaw, pediu que "o racismo não seja tratado de maneira superficial pelas instituições" italianas.

Assim como em outros centros turísticos da Itália, muitos membros da comunidade senegalesa de Florença costumam trabalhar como vendedores ambulantes, oferecendo aos turistas bolsas de marca falsificadas. A presença deles é geralmente bem aceita, assim como a participação dos jogadores de futebol senegalenses no campeonato italiano. "Eu fui bem acolhido desde o início, nunca fui vítima de episódios de racismo", disse Khouma Babacar, jogador da Fiorentina.

 

 

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