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Síria/Referendo

Mortes de dezenas de civis marcam referendo constitucional na Síria

REUTERS/Handout

Os 14 milhões de eleitores sírios convocados a votar hoje no referendo sobre reformas constitucionais estão divididos entre comparecer nas urnas ou ignorar a convocação feita pelo presidente Bashar al-Assad, como pede a oposição. A votação não dá trégua à violência. Pelo menos 30 pessoas, a maioria civis, morreram na manhã deste domingo em Homs. A Cruz Vermelha Internacional retomou as negociações para a retirada de feridos.

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A minuta da Constituição, elaborada por uma comissão designada por Assad, acaba com o monopólio do partido governante Baath, que dirige a Síria desde 1963, abre as portas ao "multipartidismo" e limita o mandato presidencial a sete anos, renovável apenas uma vez. No entanto, essa mudança só entrará em vigor a partir da eleição presidencial de 2014, o que em tese permite ao presidente Assad ficar no poder por mais 16 anos. Segundo a nova Constituição, o presidente poderá designar o primeiro-ministro, sem vinculação com a maioria parlamentar, e também poderá rejeitar certas leis.

O texto constitucional afirma que a Síria é um "Estado democrático e civil" no qual se respeitam "todas as religiões", mas a confissão do presidente é o Islã e a fonte principal da legislação é a jurisprudência muçulmana.

A televisão estatal síria exibe imagens das sessões eleitorais cheias, mas como os jornalistas estrangeiros não podem se deslocar em liberdade pelo país não é possível verificar a real participação dos sírios no referendo.

Os militantes do bairro rebelde de Baba Amr, em Homs, colocaram um vídeo na internet onde mostram a destruição do bairro após 22 dias de bombardeios intensos. "Essa é a nova Constituição. Aqueles que lutam pela liberdade são bombardeados", diz um militante no vídeo. Opositores que moram em outros bairros da cidade informaram que poucas pessoas ousam sair nas ruas para ir até os locais de voto. 

Na página "Syrian revolution 2011", no Facebook, militantes pró-democracia denunciam um regime e uma Constituiçéao sem legitimidade.

O presidente Bashar al-Assad está cada vez mais isolado, à frente de um regime acusado de crimes contra a humanidade pela morte de 7.600 sírios em 11 meses de revolta, prisões arbitrárias e amplo uso da tortura contra os opositores. Em dois dias, sexta-feira e sábado, o número de mortos chegou a 110 pessoas, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, baseado em Londres. Os combates mais violentos acontecem nas cidades de Homs, Idlib, Dara e Deir-ez-Zor.

Manifestações de apoio aos opositores na França e no Marrocos

Milhares de marroquinos saíram às ruas hoje em Casablanca, a 100 km de Rabat, a capital do Marrocos, para pedir a saída de Bashar al-Assad do poder na Síria e manifestar solidariedade com o povo sírio. Segundo a polícia havia 6 mil pessoas no protesto, mas os organizadores afirmam ter reunido 20 mil participantes. A passeata foi organizada pelo movimento islâmico mais radical do Marrocos. 

Ontem, em Paris e outras cidades francesas, várias organizações de defesa dos direitos humanos levaram centenas de pessoas às ruas em para pedir a saída de Assad e denunciar a repressão sangrenta do regime contra a população. 
 

 

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