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Sudão/Religião

Pressão internacional evita execução de sudanesa por ser católica

Meriam Yahia Ibrahim Ishag com o filho no colo, antes de ser presa por ter optado pela religião católica.
Meriam Yahia Ibrahim Ishag com o filho no colo, antes de ser presa por ter optado pela religião católica.

O caso da sudanesa de 27 anos, acusada de ter se convertido do islamismo à religião católica, provocou forte indignação internacional. A atrocidade tornou-se um dos assuntos mais comentados nas redes sociais. Ela deveria ser enforcada depois de levar 100 chicotadas, mas o governo do Sudão cedeu à pressão e anunciou neste sábado (31) a sua libertação nos próximos dias.

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A interpretação sudanesa da Charia (ou lei islâmica), introduzida no país em 1983, estabelece que qualquer pessoa que nascer no Sudão é muçulmana e que uma muçulmana não pode se casar com um não-muçulmano; uma união do gênero é considerada um "adultério". Este é o caso de Meriam Yahia Ibrahim Ishag, uma médica de 27 anos que se casou com um católico do Sudão do Sul e teve dois filhos: um menino de 20 meses e uma menina de quatro dias, que pariu na prisão.

A ONG Anistia Internacional esclareceu que Meriam foi criada pela mãe como cristã ortodoxa pois seu pai esteve ausente durante toda a sua infância. Uma explicação que não convenceu o Tribunal de Cartum, que condenou a mulher por violar a lei islâmica em vigor, que proíbe as conversões.

A acusada teve três dias para abdicar de sua religião, mas se recusou, preferindo a morte. Denunciada por um membro de sua própria família, ela foi presa em 7 de fevereiro passado com o filho, sem nenhum julgamento. A justiça estava aguardando que ela tivesse o segundo filho para executá-la.

Pressão internacional

O primeiro-ministro David Cameron foi um dos políticos ocidentais que mais fez pressão sobre o Sudão. Neste sábado (31), ele voltou a pedir clemência para a jovem, falando em "uma pena bárbara". No dia 19 de maio passado, o governo britânico já havia convocado o encarregado de Relações Exteriores do Sudão em Londres para abordar a questão. Deu certo.

"A mulher será libertada nos próximos dias segundo os procedimentos legais decididos pelo poder judiciário e pelo ministério da Justiça", declarou Abdallah Al-Azraq, membro do ministério sudanês. Ele não deu maiores explicações nem esclareceu se as acusações contra Meriam serão retiradas.

 

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