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Israel/Faixa de Gaza

Ataque israelense mata cinco membros de uma mesma família

Palestinos procuram pertences em escombros de casa destruída por ataque israelense
Palestinos procuram pertences em escombros de casa destruída por ataque israelense REUTERS/Mohammed Salem

Cinco membros de uma mesma família palestina morreram enquanto dormiam nesta madrugada (22 para 23) na Faixa de Gaza. Israel intensificou os ataques contra o território palestino, apesar dos apelos do Egito pela retomada das negociações para um cessar-fogo. De acordo com o exército de Israel, 35 alvos foram atacados no dia seguinte à morte da primeira criança israelense por conta da guerra. Do lado palestino, ao menos 480 crianças já morreram.

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“O Hamas pagará caro por esse ataque”, ameaçou ontem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Logo depois do lançamento do morteiro que matou a criança, uma sucessão de explosões pulverizou vários prédios na Faixa de Gaza. De acordo com jornalistas da AFP, os mísseis caíam do céu e pareciam não ter alvo certo. Ao menos sete pessoas morreram neste sábado. Entre elas, três crianças.

Massacre noturno

A família atingida estava em sua casa em Al-Zawayda, próxima ao campo de refugiados Nusseirat, quando o imóvel foi destruído por um ataque aéreo. “Essa é uma região agrícola”, afirmou um parente das vítimas, Salah Abu Dahror, enquanto centenas de pessoas enterravam os mortos a mãos nuas na areia.

“Eles dormiam quando, às 0h30, no meio da noite, um (jato) F-16 bombardeou a casa”, afirmou. De acordo com  outro parente, a casa já havia sido atacada uma vez, mas a família não tinha para onde ir.

Não se sabe porque essa casa seria um alvo, mas Israel ataca não apenas os lugares de onde partem os foguetes, mas também residências de membros do Hamas. Mesmo assim, o governo israelense atribui todas as mortes colaterais ao movimento islâmico.

Diante da mínima suspeita, casas viram alvos

Durante o bombardeio, o governo israelense divulgava, por telefone, mensagens eletrônicas e panfletos, a seguinte mensagem aos habitantes de Gaza: “A direção do Hamas decidiu colocá-los em mais uma batalha. Impeçam os terroristas de usar as casas de vocês para suas atividades e saiam de todos os lugares usados pelas  organizações terroristas”.

O comunicado diz ainda que, diante da mínima suspeita, “as casas serão transformadas em alvos. A campanha das forças armadas israelenses não terminou. Cuidem-se”.

Do lado palestino, a operação Limite Protetor já causou a morte de quase 2.100 pessoas, 70,73% civis, de acordo com a Unicef, agência da ONU para a proteção da infância e da juventude. Do lado israelense, quatro civis e 64 militares morreram.

Egito pede retomada das negociações

Enquanto o inferno se abatia sobre o território palestino, o Egito pediu que israelenses e palestinos aceitem um cessar-fogo durável para retomar as negociações que foram rompidas na última terça-feira, depois de nove dias de trégua.

As hostilidades recomeçaram e os dois lados chamaram de volta seus negociadores. Desde então, reina a incerteza sobre os caminhos do conflito. O Egito é um dos dois únicos países do Oriente Médio que têm um acordo de paz com Israel e, de acordo com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, deve convidar formalmente os dois lados para retomar as conversas.

Abbas se encontrou com o presidente egípcio Abdel Fatah al-Sissi e, na saída, disse que ambos estão “interessados em pôr fim ao derramamento de sangue”. Mas, para que a conversa aconteça, é preciso que uma trégua duradoura entre em vigor.

Impasse

O problema é que as exigências dos dois lados são aparentemente inconciliáveis. Os israelenses exigem o desarmamento da Faixa de Gaza, proposta recusada pelos palestinos, que querem o fim do embargo que sufoca a economia da região desde 2006.

Enquanto palestinos acusam israelenses de abusar da intransigência para boicotar qualquer negociação, israelenses afirmam que enquanto os tiros de foguetes não terminarem, não é possível conversar.
 

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