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Síria/EUA/EI

EUA e aliados árabes lançam ataques contra jihadistas na Síria

Navios de guerra americanos presentes no mar Mediterrâneo são equipados com mísseis Tomahawk capazes de atingir o território sírio.
Navios de guerra americanos presentes no mar Mediterrâneo são equipados com mísseis Tomahawk capazes de atingir o território sírio. US Navy

Os Estados Unidos e aliados árabes da coalizão internacional lançaram na noite de segunda-feira (22) os primeiros bombardeios contra posições do grupo Estado Islâmico (EI) na Síria. Os ataques aéreos e bombardeios com mísseis Tomahawk visam todo o território sírio e particularmente a cidade de Raqqa, bastião do grupo ultrarradical islâmico no norte do país. O regime sírio foi informado sobre as operações militares.

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"Posso confirmar que forças dos Estados Unidos e das nações aliadas realizaram ações contra os terroristas do EI na Síria", declarou o porta-voz do Pentágono, almirante John Kirby. Ele explicou que os mísseis Tomahawk são disparados de navios de guerra presentes na região e por drones Predator e Reaper. O porta-voz informou que países árabes participam das operações, sem entrar em detalhes. Acredita-se que esses aliados sejam Jordânia, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita.

Vinte posições do movimento jihadista foram bombardeadas simultaneamente e de forma intensiva nas regiões sul e norte da Síria. No sul, os ataques visaram edifícios, campos de treinamento e depósitos de munição dos jihadistas perto da fronteira iraquiana. No norte, próximo da fronteira com a Turquia, o foco foi a cidade de Raqqa, considerada como um posto de comando terrorista.

Segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), várias dezenas de combatentes do grupo Estado Islâmico foram mortos ou feridos nos ataques. A mesma ONG informou que ao menos 30 combatentes da Al Qaeda e oito civis, incluindo três crianças, morreram em ataques realizados hoje pela coalizão no norte da Síria.

O papel da Arábia Saudita

A colaboração de países árabes sunitas nas ações contra os extremistas islâmicos do EI é considerada um elemento fundamental pelos especialistas na região, embora eles digam que é preciso conhecer melhor o grau de envolvimento de cada uma dessas nações nos ataques.

Há duas semanas, o rei Abdallah, da Arábia Saudita, demonstrou que iria cumprir de forma mais enfática seu papel de aliado dos Estados Unidos no Golfo. Os sauditas se comprometeram a treinar em seu território os rebeldes sírios que vão enfrentar os jihadistas, além de intensificar os esforços diplomáticos. O país, assim como outras monarquias petrolíferas do Golfo, é considerado "infiel" pelos terroristas do EI por seu alinhamento com Washington. Assim, não é surpreendente encontrar o exército saudita na linha de frente, envolvido nas primeiras incursões ao lado dos Estados Unidos na Síria.

Com um orçamento militar de US$ 60 bilhões, logo atrás da Rússia, a Arábia Saudita conta com um contingente de 200 mil homens e equipamentos militares ultrasofisticados. Na região, é o país mais bem capacitado para enfrentar os extremistas. Há muito tempo, o governo de Riad esperava que os Estados Unidos agissem na Síria.

França ausente dos bombardeios na Síria

A França, que iniciou na sexta-feira bombardeios aéreos contra os extremistas islâmicos no norte do Iraque, não participa das ações na Síria. Na semana passada, o presidente François Hollande justificou essa escolha dizendo temer que o regime de Damasco se beneficie com a operação. O governo francês prefere ampliar o apoio aos rebeldes que lutam contra as forças do presidente Bashar al-Assad. “Não podemos agir, da maneira que for, em favor do regime do ditador”, afirmou Hollande.

Por outro lado, o chanceler francês, Laurent Fabius, disse que o artigo 51 da Carta das Nações Unidas prevê intervenções militares em caso de legítima defesa. Diplomatas franceses também citam a resolução 2170 da ONU, votada em agosto, que pede o desarmamento e a dissolução imediata da organização jihadista.

Síria diz que foi informada

Ontem, o presidente da coalizão síria de oposição pediu urgência nos ataques aéreos contra posições do EI. "Estamos dispostos a arriscar nossas vidas para coordenar os bombardeios no solo", disse Hadi al-Bahra em um discurso na ONU.

O comunicado do Pentágono afirma que a decisão de lançar os bombardeios na Síria foi tomada pelo presidente Barack Obama mais cedo, no início da tarde. Em um comunicado citado pela TV estatal síria, o ministério sírio das Relações Exteriores afirma ter sido informado das operações. Anteriormente, o regime sírio havia advertido que toda intervenção em seu território seria interpretada como uma agressão de parte dos Estados Unidos.

Campanha longa

O governo americano anunciou que a campanha contra os terroristas do EI pode durar meses ou mesmo anos. Além da primeira fase, de neutralização do grupo, serão necessárias incursões terrestres com as tropas sírias de oposição treinadas pelos Estados Unidos e a Arábia Saudita. Esse treinamento vai levar no mínimo um ano, segundo especialistas.

Barack Obama estará nesta terça-feira em Nova York, onde participa da Cúpula do Clima da ONU. Ele certamente conversará com outros chefes de Estado e de governo sobre a situação na Síria e no Iraque. Amanhã, Obama deve presidir uma reunião do Conselho de Segurança sobre o risco que representam os combatentes estrangeiros recrutados pelos grupos jihadistas.

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