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Epidemia/Ebola

Especialistas comparam casos de Ebola à epidemia de AIDS

Representantes de países africanos afetados pelo ebola encontram-se com líderes da ONU, do FMI e do Banco Mundial para discutir combate à epidemia.
Representantes de países africanos afetados pelo ebola encontram-se com líderes da ONU, do FMI e do Banco Mundial para discutir combate à epidemia. REUTERS/Jonathan Ernst

Diante do avanço rápido dos casos de Ebola, especialistas já comparam a epidemia do vírus da febre hemorrágica à da AIDS. Para o secretário-geral da ONU, Ban ki-Moon, é preciso “multiplicar por 20” o volume de recursos da ajuda internacional para frear o avanço da doença.

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A preocupação em torno do avanço da epidemia de Ebola atinge diversas instâncias da comunidade internacional. Nesta quinta-feira (9), a diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, afirmou que “é preciso aumentar os déficits [dos países para sobrar recursos] para cuidar das pessoas”. Esse tipo de declaração da chefe do FMI é extremamente raro, o que mostra o tom apreensivo entre os líderes mundiais.

O médico Tom Frieden, diretor do Centro Americano de Prevenção de Doenças também se mostrou pessimista. “Vai ser um longo combate. Há 30 anos trabalho com saúde pública e a única coisa comparável é a epidemia de AIDS”, disse em uma mesa-redonda em Washington que contou com a presença de representantes do FMI, da ONU, do Banco Mundial e de países africanos.

O presidente de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, também é enfático. Para ele, a resposta internacional “foi, até agora, muito mais lenta que o ritmo de transmissão da doença”. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a epidemia de Ebola já matou pelo menos 3.900 pessoas. Serra Leoa, Libéria e Guiné são os países mais atingidos.

Enfermeira espanhola contaminada por Ebola está em estado grave

Teresa Romero, a enfermeira espanhola que foi contaminada quando tratava de dois missionários infectados pelo Ebola, está em um estado grave. Segundo o hospital Calos III, em Madri, ela teve que ser entubada. A enfermeira está internada nesse hospital desde segunda-feira. Juan-Manuel Parra, o médico que atendeu essa paciente também foi colocado em quarentena. Os dois missionários que contraíram a doença na África morreram.

Antes de se internar espontaneamente, Juan-Manuel Parra denunciou vários erros no protocolo do tratamento dos contaminados por Ebola. De acordo com o médico, a roupa de proteção fornecida para a equipe médica era inadequada. “As mangas estavam curtas, o que deixava os punhos expostos”, conta Parra.

Segundo Parra, o uniforme completo e mais seguro (com macacão reforçado, máscara, óculos, dois pares de luvas e cobertura para os sapatos) só foi entregue à equipe de saúde quando a enfermeira já apresentava sintomas avançados da doença. Ele também relatou que os resultados das análises demoraram a chegar e ele só ficou sabendo que a paciente estava com Ebola por meio dos jornais.

União Europeia em estado de alerta

A negligência das autoridades espanholas acendeu o sinal de alerta na União Europeia. No próximo dia 17, os líderes europeus vão discutir sobre o reforço de medidas de controle nos aeroportos europeus.

Para lutar contra a chegada do Ebola ao território francês, o governo anunciou nesta quinta-feira (9) que vai reforçar o controle nos terminais de embarque dos aeroportos dos países mais afetados pela epidemia. Para a ministra da Saúde da França, Marisol Touraine, monitorar apenas a chegada dos passageiros na França não é uma “solução milagrosa”.

Os Estados Unidos reforçaram o controle dos viajantes vindos da África Ocidental em cinco aeroportos do país - Atlanta, Chicago, Nova York, Newark e Dulles, em Washington - numa tentativa de controlar a propagação do Ebola. O Canadá adotou a mesma medida. Passageiros que chegarem da Libéria, Serra Leoa e Guiné serão submetidos a um questionário e controle de temperatura.

 

 

 

 

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