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Austrália/G20

Ação de Putin na Ucrânia rouba a cena no encontro do G20

Os premiês do Reino Unido, David Cameron, e Tony Abbott, da Austrália, chegam para sessão do parlamento australiano em Camberra.
Os premiês do Reino Unido, David Cameron, e Tony Abbott, da Austrália, chegam para sessão do parlamento australiano em Camberra. REUTERS/Mark Graham/Pool

A queda de braço entre os ocidentais e a Rússia por causa da crise da Ucrânia rouba a cena na véspera da abertura da Cúpula do G20, em Brisbane, na Austrália. Em discurso nesta sexta-feira (14) no Parlamento australiano, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, ameaçou  a Rússia com novas sanções. Cameron pediu ao presidente russo, Vladimir Putin, para "parar de se comportar como um agressor" na Ucrânia.

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Em entrevista coletiva ao lado de David Cameron, o primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, cobrou de Putin que assuma sua responsabilidade na queda do avião da Malaysia Airlines atingido por um míssil, em julho, no leste da Ucrânia. O acidente matou os 298 ocupantes do avião, sendo que 38 eram cidadãos australianos.

Abbott criticou a intensificação das atividades militares da Rússia. Ele evocou o envio de navios militares russos à costa da Austrália e a outras áreas do sul do Pacífico, a intensificação das atividades da força aérea russa no espaço aéreo do Japão e outros sinais de força enviados por Putin aos ocidentais. Segundo o primeiro-ministro australiano, a Rússia "seria bem mais atraente se aspirasse ser uma potência comprometida com a paz, a liberdade e a prosperidade, em vez de tentar reviver a glória perdida dos tempos da União Soviética".

Durante a cúpula do G20, o presidente francês, François Hollande, se reunirá com Putin para discutir a espinhosa entrega de dois navios militares Mistral em construção na França. Sob pressão do bloco europeu, o governo francês adiou a entrega do navio, mas a Rússia ameaça cobrar multa contratual pelo atraso. Moscou deu prazo até o fim de novembro para a entrega do primeiro navio, caso contrário exigirá compensações financeiras milionárias do governo francês.

Putin também fará uma reunião bilateral com a chanceler alemã, Angela Merkel, à margem do G20. Questionado se a crise na Ucrânia esfriou as relações entre Berlim e Moscou, Putin disse não ter notado mudanças. "Governamos em função dos nossos interesses, não em função de afinidades, simpatias e antipatias", declarou com pragmatismo o presidente russo. 

Em entrevista à agência Tass, publicada nesta sexta-feira, Putin rejeitou a ideia de um confronto entre dois blocos no G20, de um lado as potências ocidentais e, do outro, os emergentes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Putin comentou que as sanções comerciais aplicadas pelos americanos e europeus contra a Rússia contradizem o princípio de cooperação do G20, mas não justificam uma divisão do grupo.

Ofensiva terrestre na Ucrânia

No leste da Ucrânia, cresce o temor de uma nova ofensiva terrestre dos separatistas, amparados por tropas de Moscou. O porto de Mariupol estaria nos planos de extensão territorial dos pró-russos. A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e a Otan confirmaram nesta semana a chegada de soldados russos e novos equipamentos militares à região.

Especialistas internacionais ouvidos pela agência AFP estimam que uma ampla ofensiva terrestre no leste ucraniano durante o inverno é um cenário pouco provável. Porém, uma conversa telefônica entre rebeldes interceptada por um internauta ucraniano aumentou o temor de uma ofensiva iminente, já no próximo domingo. Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU declarou que a Ucrânia estava à beira de uma "guerra total".

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